História da Faculdade de Veterinária da UFF
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Toda a história é construída e preservada por meio de seus registros (orais, escritos ou visuais), que constituem a base da memória de instituições e pessoas. Neste espaço, apresentamos a trajetória da Faculdade de Veterinária da Universidade Federal Fluminense, compondo um mosaico de documentos, depoimentos, imagens e registros históricos que testemunham quase um século de dedicação ao ensino, à pesquisa e à extensão.
A iniciativa tem como propósito preservar e valorizar a memória dos fatos, acontecimentos e personagens que marcaram a história da unidade. Para tanto, foi desenvolvida uma pesquisa bibliográfica e exploratória, fundamentada em diversas fontes (como livros, jornais, periódicos, registros institucionais e arquivos fotográficos), com o objetivo de identificar e resgatar os marcos mais significativos de sua trajetória.
A Faculdade de Veterinária teve origem em 11 de março de 1936, sob a denominação de sociedade civil Escola Fluminense de Medicina Veterinária. Parte deste trabalho foi dedicada à contextualização histórica, legal e institucional do seu período de fundação, bem como à reconstrução dos caminhos que levaram à consolidação de sua estrutura acadêmica e administrativa ao longo de nove décadas de existência.
Este site disponibiliza páginas temáticas dedicadas à história institucional da Faculdade de Veterinária, uma galeria com seus diretores, depoimentos em vídeo, um acervo iconográfico e uma linha do tempo, que convidam o visitante a revisitar o passado e acompanhar a evolução da unidade até os dias atuais.
Cientes da amplitude temporal e da diversidade das fontes consultadas, reconhecemos que nem todas as informações e registros disponíveis puderam ser integralmente contemplados. Ainda assim, foram envidados todos os esforços possíveis para garantir a consistência, a precisão e a organização das informações aqui apresentadas.
Por meio desta iniciativa, a Faculdade de Veterinária reafirma seu compromisso com a preservação de sua memória institucional, homenageando aqueles que contribuíram para a construção de sua história e fortalecendo, assim, os valores que sustentam sua missão acadêmica junto à Universidade Federal Fluminense e a sociedade.
Equipe: Coordenação e Criação de conteúdo – Professor Glenio Piran Dal’ Magro
Edição e design – Assistente em Administração Camila Baker
Colaboração – Discente Isaque de Souza Filho
Breve histórico do ensino da Medicina Veterinária no Brasil
As primeiras tentativas de organização do ensino agrícola no país datam do Período Joanino. O Período Joanino foi a fase em que a corte portuguesa, liderada pelo príncipe regente Dom João (depois Dom João VI), esteve no Brasil, entre 1808 e 1821. Famoso pela fuga de Napoleão Bonaparte, o período foi marcado por transformações significativas no Brasil.
Nesse período, em 1812 foi criado o Curso de Agricultura da Bahia para difundir conhecimentos de Ciências Naturais, que, no entanto, não saiu do papel. Outra iniciativa infrutífera se deu durante a Regência, com o regulamento n. 15, de 1º de abril de 1838, que determinou o estabelecimento de uma Escola de Agricultura Teórica e Prática na Fazenda Nacional de Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro (Oliver, 2005, p. 30-31). No caso específico do ensino veterinário, vale mencionar que também remonta ao Período Joanino a instituição de uma aula de alveitaria (é a arte de alveitar, de ferrar ou curar de maneira empírica os animais), no Primeiro Regimento de Cavalaria do Exército, pelo decreto de 31 de janeiro de 1818 (Escola…, s.d.).
Foi apenas na segunda metade do século XIX, no âmbito da política de substituição de mão de obra escrava e de incentivo à produção agrícola, que os projetos relativos ao ensino relacionados a essa área ganharam maior projeção e os primeiros empreendimentos se consolidaram, com o apoio do Governo Imperial (Gabler, 2012, p. 20). Nesse momento foram instalados institutos agronômicos em diversas Províncias e fundadas duas escolas, a Imperial Escola Agrícola da Bahia, que teve seus estatutos aprovados pelo decreto n. 5.957, de 23 de junho de 1875, e a Imperial Escola de Medicina Veterinária e Agricultura Prática, constituída pelo decreto de 8 de dezembro de 1883, em Pelotas, no Rio Grande do Sul (Escola…, s.d.).
No Período Republicano (Primeira República ou República Velha – 1989 até 1930), o processo de expansão do ensino agrícola ganharia maior reforço. Na esfera federal, em 1896, o decreto n. 2.221 criou um curso de Engenharia Agronômica na Escola Politécnica, mantido no regulamento de 1901, mas suprimido em 1911. Em 1900, a criação da Escola Agrícola Prática de Piracicaba, depois denominada Escola Agrícola Prática Luiz de Queiroz, no estado de São Paulo, e da Escola Agrícola de Lavras, em Minas Gerais, em 1908, também foram marcos nesse período. Em 1910, o decreto n. 2.232, de 6 de janeiro, instituiu uma escola veterinária subordinada ao Ministério da Guerra, que iniciou suas atividades somente em 1914. Tal processo foi incrementado com o estabelecimento de institutos de pesquisa e com a diversificação de periódicos especializados em agricultura e assuntos correlatos observados nessa época (Oliver; Figueirôa, 2006, p. 105).
Ainda em 1910, de acordo com o decreto n. 8.319 de 20 de outubro, cria-se a Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária (ESAMV), destinada à promoção do desenvolvimento científico pela preparação técnica de profissionais, que estariam aptos para atuar no ensino, dirigir os serviços relativos à exploração racional da grande propriedade agrícola e das indústrias rurais, exercer a medicina veterinária e ocupar “os cargos superiores do ministério” (Brasil, 1915a, p. 1.046-1.122). Tanto o curso de Agricultura como o de Medicina Veterinária eram divididos em fundamental e especial. O primeiro tinha duração de um ano, e o segundo variava de três, para o caso dos engenheiros agrônomos, a quatro anos, para os médicos veterinários. Após concluir o curso especial, os engenheiros agrônomos poderiam, ainda, fazer uma especialização de um ano.
O currículo para a formação de engenheiro agrônomo era composto por disciplinas como agricultura, física, química, botânica, zoologia e suas especializações, além daquelas ligadas a mecânica agrícola, máquinas e indústria rural, noções de direito constitucional e administrativo, e organização comercial, entre outras. O curso de medicina veterinária era integrado pelas cadeiras de física, química, zoologia, anatomia, fisiologia, farmacologia, microbiologia, parasitologia, obstetrícia, zootécnica e outras. Para a realização de atividades práticas, os cursos teriam uma estrutura formada por laboratórios, gabinetes, museu agrícola e florestal, oficinas para o trabalho do ferro e da madeira, fazenda experimental, estação de ensaio de máquinas agrícolas, posto meteorológico, hospital veterinário, hospital de isolamento e um matadouro com laboratórios para os estudos referentes à fiscalização sanitária das carnes. Além disso, os cursos contariam com o auxílio de outros órgãos para o desenvolvimento de pesquisas e experiências específicas, tais como o Posto Zootécnico, o Jardim Botânico, o Museu Nacional e a Diretoria de Meteorologia e Astronomia. Como recurso complementar ao ensino, o decreto determinou, ainda, a realização de excursões a órgãos oficiais, fábricas, propriedades agrícolas e exposições (Brasil, 1915a, p. 1.046-1.122).
A Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária foi criada com a finalidade de formar engenheiros agrônomos e médicos veterinários. O provimento dos cargos de professores e lentes seria feito por meio de concursos, compostos por provas escrita, oral e prática, conforme a disciplina. Na falta de especialistas brasileiros, poderiam ser contratados técnicos estrangeiros de reconhecida competência. Para a matrícula nos cursos oferecidos pela escola seriam exigidos a idade mínima de 17 anos e o título de bacharel em ciências e letras ou certificado de exames de madureza ou parcelados. Cada um dos cursos teria, no máximo, cem vagas, e a matrícula seria paga, havendo possibilidade de isenção para os alunos que não dispusessem de recursos, entre outros casos.
O decreto n. 8.319 ainda previu prêmios para o corpo docente, com a publicação de trabalhos e viagens para estudos e investigações em instituições estrangeiras. Aos alunos que se destacassem também poderiam ser concedidas viagens de aperfeiçoamento. O ato ainda dispôs que a ESAMV manteria uma revista, na qual seriam publicados os resumos das lições, com a respectiva bibliografia e o resultado dos trabalhos práticos.
A princípio, a ESAMV seria instalada na Fazenda de Santa Cruz, no entanto, em 1911, o decreto n. 8.970, de 14 de setembro, levando em consideração a distância e outros fatores, determinou que a sua sede ocuparia o antigo palácio do Duque de Saxe, na região do Maracanã, no Distrito Federal [cidade do Rio de Janeiro], e a fazenda experimental ficaria nos terrenos escolhidos e demarcados na Vila Militar, na estação de Deodoro, da Estrada de Ferro Central do Brasil (Brasil, 1911, p. 11.811).
Em 1912, o decreto n. 9.857, de 6 de novembro, aprovou o regulamento da ESAMV, especificando as atribuições dos funcionários, disciplina e frequências nos cursos, organização da fazenda experimental e da estação de ensaios de máquinas agrícolas, dentre outros pontos (Brasil, 1916, p. 289-330).
A Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária (ESAMV) foi inaugurada no dia 4 de julho de 1913. No primeiro ano, foram inscritos 64 alunos, 53 no curso de Agronomia e 11 no de Veterinária, vindos de vários estados brasileiros, mas a maioria do Rio de Janeiro [Estado] e do Distrito Federal [cidade do Rio de Janeiro] (Brasil, 1913, p. 7). A ESAMV, é a precursora da atual Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), localizada no município de Seropédica (RJ). Diferente da Escola paulista, localizada na cidade de Piracicaba, que atraiu, em suas primeiras décadas, os filhos de grandes fazendeiros do estado, a escola federal tinha um perfil mais aberto, predominando os membros dos setores médios urbanos, o que a constituiu como um canal de ascensão social pela via do diploma (Mendonça, 2013, p. 254; 258). Cabe salientar que a Escola de Veterinária do Exército, também criada em 1910, foi aberta em 17 de julho de 1914. Ambas são consideradas as primeiras escolas de Medicina Veterinária em território nacional.
Logo nos primeiros anos de existência, a ESAMV enfrentou problemas orçamentários, que levaram ao seu fechamento pouco tempo após sua inauguração, em 1915 (Brasil, 1915b, p. 172). Em 1916, a Escola foi transferida pelo decreto n. 12.012, de 29 de março, passando a funcionar anexa ao Posto Zootécnico Federal de Pinheiro, no atual município de Pinheiral, Rio de Janeiro, e teve incorporada à sua estrutura a Escola média ou Téorico-Prática da Bahia e a Escola de Agricultura que existia no referido Posto (Brasil, 1917a, p. 508-526; 1917c, p. 6). Pouco tempo depois, em 28 de fevereiro, o decreto n. 12.894 de 1918 transferiu a escola para a cidade de Niterói, sob a justificativa de dificuldades de acesso e custo dos transportes, que impactavam a frequência dos alunos (Brasil, 1918, p. 2.990).
O ano de 1920 foi marcado pela criação do curso de química industrial agrícola da Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária, de acordo com o decreto n. 14.120, de 29 de março, refletindo a importância da química e da formação de mão de obra especializada no processo de expansão da industrialização no país. Segundo o decreto n. 14.120, o curso de química industrial agrícola tinha por finalidade preparar químicos destinados a orientar as indústrias agrícolas e conexas, o comércio e a prática agrícola, “com o espírito e o método científico da pesquisa e da aplicação” (Brasil, 1921a, p. 884-908).
A Escola teve sua sede novamente transferida em 1927, pelo decreto n. 17.768, de 12 de abril, voltando a funcionar no Distrito Federal [cidade do Rio de Janeiro], no edifício onde antes funcionara o próprio Ministério da Agricultura, no bairro da Urca. A regulamentação da profissão de Agrônomo (Brasil, 1930, p. 102) ocorreu apenas em 1933, pelo decreto n. 23.196, de 12 de outubro. No mesmo ano houve a regulamentação da profissão de Veterinário, pelo decreto n. 23.133, de 9 de setembro. No ano seguinte, seria a vez da profissão de Químico, que teve seu exercício regulado pelo decreto n. 24.693, de 12 de julho.
Em 1930, com a chegada de Getúlio Vargas ao comando do governo federal, em decorrência do movimento que ficou conhecido como Revolução de 1930, que depôs o presidente Washington Luís, foi iniciada uma série de modificações no Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio, dentre as quais, em dezembro daquele ano, a pasta teve sua denominação alterada para Ministério da Agricultura.
Nos anos seguintes foram realizadas sucessivas mudanças. Em de 11 de abril de 1931, o Decreto nº 19.851 referente a “Lei orgânica das universidades brasileiras”, instituiu o Estatuto das Universidades Brasileiras. Essa legislação, parte da Reforma Francisco Campos, foi a primeira a organizar o ensino superior no Brasil sob o Regime Universitário e estabeleceu os critérios técnicos e administrativos para a criação das universidades.
A partir de 1933, a ESAMV foi desmembrada, dando origem a três instituições independentes: a primeira foi a Escola Nacional de Química, prevista pelo decreto n. 23.016, de 28 de julho de 1933, e organizada pelo decreto n. 23.172, de 29 de setembro de 1933. No ano seguinte (1934) foi a vez da fundação da Escola Nacional de Agronomia e da Escola Nacional de Veterinária, pelos decretos n. 23.857 e 23.858, de 8 de fevereiro, respectivamente, que levaram à extinção da Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária. Em teoria e organizadas pela Reforma Universitária, essas Escolas seriam incorporadas a Universidade do Brasil, posteriormente Universidade Federal do Rio de Janeiro, porém apenas a Escola Nacional de Química foi incorporada.
***Os trechos aqui apresentados foram retirados ipsis litteris de diferentes fontes impressas e digitais e compilados para essa apresentação***
Para maiores informações: https://mapa.an.gov.br/index.php/dicionario-primeira-republica/941-escola-superior-de-agricultura-e-medicina-veterinaria
Referências Bibliográficas
BRASIL. Decreto n. 8.319, de 20 de outubro de 1910. Cria o ensino agronômico e aprova o respectivo regulamento. Coleção das leis da República dos Estados Unidos do Brasil, Rio de Janeiro, v. 2, parte 2, p. 1.046-1122, 1915a.
______. Decreto n. 8.970, de 14 de setembro de 1911. Altera a disposição constante do art. 528 do regulamento que baixou com o decreto n. 8.319, de 20 de outubro de 1910. Diário Oficial da República dos Estados Unidos do Brasil. Poder Executivo, Rio de Janeiro, 24 set. 1911. Seção 1, p. 11.811.
______. Decreto n. 9.857, de 6 de novembro de 1912. Aprova o regulamento da Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária. Coleção das leis da República dos Estados Unidos do Brasil, Rio de Janeiro, v. 4, p. 289-330, 1916.
______. Relatório apresentado ao presidente da República dos Estados Unidos do Brasil pelo ministro de Estado dos Negócios da Agricultura, Indústria, Comércio dr. Pedro de Toledo em 1913. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1913. Disponível em: https://bit.ly/2zvQlNv. Acesso em: 26 maio 2025.
______. Relatório apresentado ao presidente da República dos Estados Unidos do Brasil pelo ministro de Estado dos Negócios da Agricultura, Indústria, Comércio dr. José Rufino Beserra Cavalcanti em 1915. Rio de Janeiro: Tipografia da Diretoria-Geral de Estatística, 1915b. Disponível em: https://bit.ly/2ze6bMd. Acesso em: 26 maio 2025.
______. Decreto n. 12.012, de 29 de março de 1916. Transfere as sedes da Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária e da Escola Média ou Téorico-Prática da Bahia e reúne em um só os dois mencionados estabelecimentos de ensino e a Escola de Agricultura anexa ao Posto Zootécnico Federal de Pinheiro, com a denominação de Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária. Coleção das leis da República dos Estados Unidos do Brasil, Rio de Janeiro, v. 2, p. 508-526, 1917a.
______. Decreto n. 12.894, de 28 de fevereiro de 1918. Transfere a sede da Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária. Diário Oficial da República dos Estados Unidos do Brasil. Poder Executivo, Rio de Janeiro, 5 mar. 1918. Seção 1, p. 2.990.
______. Decreto 14.120, de 29 de março de 1920. Dá novo regulamento à Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária. Coleção das leis da República dos Estados Unidos do Brasil, Rio de Janeiro, v. 2, parte 2, p. 884-908, 1921.
______. Relatório apresentado ao presidente da República dos Estados Unidos do Brasil pelo ministro de Estado dos Negócios da Agricultura, Indústria e Comércio Geminiano Lyra Castro em 1929. Rio de Janeiro: Tipografia do Serviço de Informações do Ministério da Agricultura, 1930. Disponível em: https://bit.ly/2ZHXULF. Acesso em: 26 maio 2025.
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GABLER, Louise. A Secretaria de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas e a modernização do Império (1860-1891). Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2012. Disponível em: https://bit.ly/2ZyjwKu. Acesso em: 26 maio 2025.
MENDONÇA, Sônia Regina. Estado, saber e poder no Brasil. Passagens: Revista Internacional de História Política e Cultura Jurídica, Rio de Janeiro: v. 5, n.2, p. 245-261, maio/ago. 2013. Disponível em: https://bit.ly/3c1jAor. Acesso em: 26 maio 2025.
OLIVER, Graciela de Souza. O papel das escolas superiores de agricultura na institucionalização das ciências agrícolas no Brasil, 1930-1950: práticas acadêmicas, currículos e formação profissional. Tese (Doutorado em Ensino e História de Ciência da Terra) – Instituto de Geociências, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP, 2005. Disponível em: https://bit.ly/3d4xHed. Acesso em: 26 maio 2025.
OLIVER, Graciela de Souza; FIGUEIRÔA, Silvia Fernanda de Mendonça. Características da institucionalização das ciências agrícolas no Brasil. Revista da SBHC, Rio de Janeiro, v. 4, n. 2, p. 104-115, jul./dez. 2006. Disponível em: https://bit.ly/2yD7Wmi. Acesso em: 26 maio 2025.
Em 9 de setembro de 1933, o Decreto 23.133 regula o exercício da profissão veterinária no Brasil e dá outras providências. Dentre as providências, está que o “padrão do ensino de medicina veterinária no Brasil é constituído pela Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária (ESAMV) do Ministério da Agricultura”, criada em 1910. Ainda, em 12 de outubro de 1933, o Decreto 23.196 regulamentou a profissão de agrônomo no Brasil.
“A nova mentalidade técnica então criada, com o prestígio conferido as duas profissões, às quais foram, concomitantemente, abertos novos e vastos campos de atividade, ensejou e estimulou iniciativas de grande importância e repercussão”. Dentre as iniciativas “deve ser realçada a fundação de algumas Escolas de ensino superior Agronômico e Veterinário nos Estados”.
“Em julho de 1935, em Niterói, [então] capital do Estado do Rio de Janeiro, foi fundada a Escola Superior de Agricultura do Estado do Rio de Janeiro, sociedade civil. Previa-se no Estatuto a criação de uma escola de ensino superior de veterinário. Torna-se realmente necessário a criação de uma Escola de Veterinária no Estado do Rio, uma Escola de Veterinária para formar veterinários com a mentalidade progressista que já vinha caracterizando a profissão nos países de economia rural mais evoluída. […] Foi esse o espirito que presidiu a criação da antiga Escola Fluminense de Medicina Veterinária.”
Para tal, um grupo de idealistas, tendo à frente a figura singular e dinâmica do inolvidável veterinário Américo de Souza Braga, a convite do diretor da Escola Superior de Agricultura do Estado do Rio de Janeiro, o atual general Antônio de Lima Câmara, promoveu, ainda em 1935, reuniões com o objetivo de corporificar a medida prevista no estatuto da mesma, convocando veterinários do Ministério da Agricultura, do Exército, da Secretaria de Agricultura do Estado do Rio de Janeiro e da Prefeitura do Distrito Federal, residentes em Niterói e na Capital Federal (então cidade do Rio de Janeiro), assim como alguns ilustres médicos e agrônomos.
As reuniões promovidas por esse grupo de idealistas eram lideradas por Américo de Souza Braga, Professor da Escola Nacional de Veterinária do Rio de Janeiro e cientista a serviço do Instituto Vital Brazil. Ainda, “aquelas reuniões preliminares contaram com a presença dos veterinários, Moacyr Alves de Souza, Guilherme Edelberto Hermsdorff, Geneville Hermsdorff, Nilo Garcia Carneiro, Argemiro de Oliveira, Taylor Ribeiro de Mello, Henrique Blanc de Freitas, Oscar Fleury Nunes, Ascânio Faria, Raymundo Demócrito Silva, Alfredo da Costa Monteiro, Sylvio Tôrres, Fernando Chaltein, Waldemar de Castro Fretz e José Luiz Guimarães dos Santos; dos engenheiros agrônomos Waldemar Raythe de Queiroz e Silva e Antônio Motta Filho, e dos médicos Salomão Vergueiro da Cruz e Vital Brazil Filho, além do Sr. Ayrton Ribeiro Gomes.” Esse “grupo de cavalheiros deliberou fundar o estabelecimento de ensino superior apoiando-se tão somente no dinamismo de sua iniciativa e em recursos financeiros que não iam além de suas próprias possibilidades pessoais. A Associação de Imprensa do Estado do Rio de Janeiro franqueou-lhe a sua sede, onde todos os atos preliminares da fundação foram praticados, iniciando-se ainda aí as inscrições para os primeiros exames vestibulares, depois de conquistada pela Escola a sua personalidade jurídica.”
“Das aludidas reuniões resultou, em 11 de março de 1936, a fundação sociedade civil Escola Fluminense de Medicina Veterinária (EFMV), que, de acordo com o seu Estatuto, aprovado em redação final no dia 18 do referido mês e reformado a 14 de agosto do mesmo ano, gozava de completa autonomia didática, econômica e financeira.” O primeiro Regimento da Escola Fluminense de Medicina Veterinária observou a forma do decreto nº 25.858, de 8 de fevereiro de 1934, baixado pela Escola Nacional de Veterinária (antiga Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária), tendo suas aulas iniciadas apenas em abril de 1936.
Naquela mesma data (11 de março), foi eleita a primeira diretoria da EFMV, assim constituída: Diretor, professor Américo de Souza Braga; Vice-diretor, Argemiro de Oliveira; Tesoureiro, professor Salomão Vergueiro da Cruz, e Secretário, dr. Ayrton Ribeiro Gomes. Para o primeiro Conselho Técnico foram eleitos os professores Guilherme Edelberto Hermsdorff, Nilo Garcia Carneiro e Salomão Vergueiro da Cruz.”
“O governo do Almirante Ary Parreiras compreendendo a alta finalidade da iniciativa e os seus efeitos diretos na economia do estado, que tem na pecuária e nas indústrias rurais um dos seus melhores esteios permitiu-lhe o funcionamento no suntuoso edifício onde se acha atualmente a Secretaria de Agricultura.” Assim, a Escola Fluminense de Medicina Veterinária ‘funcionou, primitivamente, no Horto Botânico de Niterói, na antiga sede da ESAMV do Ministério da Agricultura” (1923-1927), hoje extinta, e atual sede da Secretaria Estadual de Agricultura (desde 1931). Passou, no ano seguinte (1937), para um prédio vetusto na rua Visconde do Rio Branco, onde permaneceu até 1939, quando ocupou o primeiro pavilhão de sua sede própria, construída num terreno de 6.481 metros quadrados, doado [cedido ou desmembrado do Instituto Vital Brazil], para tal fim, num gesto de clarividência e patriotismo, pelo grande e saudoso sábio Vital Brazil.”
“Na fase inicial houve grande apoio a EFMV, pelo Interventor Federal, Ernani do Amaral Peixoto, o Secretário da Agricultura Rubens Farrula e também pelo Diretor da Secretaria, médico veterinário Joaquim Sisino Rocha, também professor da Escola e que, em momento muito difícil para sua manutenção organizou um Curso de Práticos Rurais, ministrado no Horto do Fonseca e na própria Escola, o que possibilitou a obtenção de recursos destinados a manutenção da parte administrativa.
“No mesmo ano de sua fundação [1936], a Escola Fluminense de Medicina Veterinária foi oficializada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro través da Lei n.º 115 de 24 de outubro de 1936, emanada da Assembléia Legislativa e sancionada pelo Governador Protógenes Guimarães.”
“O curso foi seriado em quatro anos, com um total de 21 cadeiras, ou seja, mais quatro além das exigidas pelo programa do estabelecimento padrão de Ensino Superior Veterinário no país, que é a Escola Nacional de Veterinária: Zoologia Aplicada, Anatomia Descritiva e Comparada dos Animais Domésticos (2ª Parte), Agrostologia e Economia Rural e, Direito Veterinário e Legislação Rural. A disciplina de ‘Higiene e política sanitária animal – Alimentação dos animais domésticos’ da Escola Nacional de Veterinária, foi transformada em duas na EFMV: ‘Higiene e alimentação dos animais domésticos’ e ‘Doenças infectocontagiosas – Política sanitária’. Em 1949 a cadeira “Indústria e Inspeção dos produtos de origem animal” se desdobra em duas, a cadeira de “Inspeção sanitária dos produtos de origem animal” e, a recém criada, “Tecnologia de Produtos de Origem Animal”.
“A escolha do corpo docente foi realizada com respeito à Constituição Federal de 1934, obedeceu às normas estabelecidas no decreto federal nº 13.133, de 9/9/1933, que regula o exercício da profissão, e observou a forma do Regulamento baixado com o decreto federal nº 23.858, de 8/2/1934, para a Escola Nacional de Veterinária, aprovado pelo decreto nº 23.979, de 8/3/1934 que regulamentou o Departamento Nacional da Produção Animal, com as modificações aprovadas pelo decreto nº 24.540, de 5/7/1934.
Por ocasião da fundação da Escola Fluminense de Medicina Veterinária, foram providas mediante concursos de títulos e em caráter vitalício, de acordo com o art. 77 do seu Estatuto, dezessete das vinte e uma cadeiras então criadas. As demais o foram a título interino. Consulte o documento Escola Fluminense de Medicina Veterinária_1958, para informações mais detalhadas sobre as cátredas e seus ocupantes até 1958. Cabe salientar que, decorridos cinco anos de trabalho árduo e constante, nenhum professor da Escola recebe qualquer remuneração por esse trabalho, não sendo menor por isso a sua dedicação, os horários de aulas e exames rigorosamente cumpridos e a eficiência do ensino.
Os trabalhos de construção do primeiro pavilhão da EFMV já estavam iniciados, com esforço próprio, quando o Governo Estadual do Rio, em 1939, passou a conceder-lhe auxílios mais substanciais, o que possibilitou o término das obras programadas para aquele ano e os dois seguintes.
Em 27 de dezembro de 1939 foi lançada solenemente a pedra fundamental do futuro estabelecimento, a Escola Fluminense de Medicina Veterinária, em terreno doado pelo Dr. Vital Brazil. A respectiva instalações do 1º pavilhão da EFMV, na Rua Vital Brasil Filho, teve solenidade inaugural em 02 de Maio de 1940, conforme registros históricos da época. Segundo as descrições, se havia construído uma área de 300m², contendo duas grandes salas de aula, gabinete da direção, secretaria, centro acadêmico, biblioteca e anfiteatro, além de laboratórios. Entretanto, também pode-se verificar por meio dos registros históricos que em julho de 1940 o interventor Federal Ernani do Amaral Peixoto concedeu auxílio para a conclusão do edifício da EFMV. Em 5 de março de 1941, noticia-se que foi iniciada a colocação da cumeeira da ala direita do novo edifício da EFMV, com o auxílio do governo do Estado do Rio de Janeiro, no qual assim, por meio da cobertura terminaria a construção.
A primeira turma foi diplomada em 30 de março de 1940, referente aos formandos de 1939. A solenidade ocorreu na Academia Fluminense de Letras. A turma era composta por 21 veterinários, sendo Zulmira de Menezes a única mulher. Em 18 de dezembro de 1940, colou gráu a 2 turma de novos médicos veterinários. Ainda, foi inaugurado no dia 10 de julho de 1940 o “Curso de Práticos Ruraes” na Escola Fluminense de Medicina Veterinária, por iniciativa do Comandante Hernani Amaral Peixoto, promovidos pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro.
Na década de 1940, por intermédio da Secretaria de Agricultura do Governo Fluminense, a Escola Fluminense de Medicina Veterinária passa a organizar e disponibilizar o “Curso de Práticos Rurais” por meio de aulas teóricas e principalmente práticas sobre as atividades rurais concernentes aos reinos animal e vegetal. Segundo reportagem do Jornal O Estado, de 11 de maio de 1940, o secretário de Agricultura, Indústria e Comércio, dr. Rubens Farrula, a pedido do interventor Ernani do Amaral Peixoto, resolveu criar um curso de Práticos Rurais, a fim de poder solucionar os problemas ligados a agricultura fluminense. Ainda, o referido secretário designa em Portaria o dr. Juvenal da Rocha Nogueira, dr. Joaquim Sisino Rocha, dr José Luiz G. Santos juntamente com o Professor Américo Braga para organizarem a programação do curso de práticos rurais. O curso ofertado garantiu a entrada de dinheiro que viabilizaram as atividades da EFMV, por meio da supracitada Secretaria.
Nessa década (1940), matricularam-se 36 candidatos na primeira turma de técnicos de piscicultura, curso criado com apoio do governo do comandante Amaral Peixoto, desenvolvendo seus objetivos em cooperação com a Secretaria de Agricultura do Estado. Foram ministradas aulas com feitio prático com ensinamentos da pesca e da piscicultura sob a direção do chefe do Serviço Técnico de Caça e Pesca do Estado, comandante Armando Pina. Após o desenvolvimento de atividades em tanques, chocadeiras, laboratórios e demais instalações do Serviço, localizado na Alameda S. Boaventura, 21 candidatos obtiveram a competente aprovação, com o certificado de especializado em piscicultura.
Em 3 de dezembro de 1941, pelo Decreto nº 8.325, o Presidente da República, Getúlio Vargas, reconhece o curso de veterinária da Escola Fluminense de Medicina Veterinária, mediante continuação das obras em andamento, complemento e renovação de material didático de seus laboratórios e gabinetes e, exclusão dos alunos cujas matrículas não satisfaçam aos requisitos legais.
Durante a Segunda Guerra Mundial foi criado o “Curso de Enfermagem de Guerra” no Estado do Rio de Janeiro, especificamente entre 1943 e 1944. Estruturado para receber uma preparação intensiva, o curso treinava voluntárias e diplomava enfermeiras especializadas com aulas técnicas realizadas com demonstrações práticas e exercícios profissionais para atuar na Guerra. Coordenado pelo dr. Adauto Werneck, o curso era ministrado na Legião Brasileira de Assistência (LBA) e possuía colaboração com o Instituto Vital Brazil, a Escola Fluminense de Medicina Veterinária, 3º R.I. e, a Força Policial.
A partir de 1949, a EFMV foi auxiliada, também, de maneira progressiva, pelo Governo Federal, através do Ministério da Agricultura. A federalização da Escola foi autorizada pela Lei nº 1055 de 16 de Janeiro de 1950, com o apoio de alguns deputados federais e estaduais como Ernâni do Amaral Peixoto e Vasconcellos Torres. Em 27 de fevereiro de 1951, mediante autorização do Presidente da República, General Eurico Gaspar Dutra, foi firmado entre o seu Diretor, professor Moacyr Alves de Souza, e o Ministro da Agricultura, Sr. Novais Filho, o acordo previsto naquela lei, pelo qual o estabelecimento seria incorporado ao patrimônio da União, sob as condições principais de ser mantida a sua finalidade e ser aproveitado o seu pessoal no Serviço Público Federal. Em 12 de fevereiro de 1953, pela Lei nº 1813 era criado o quadro de pessoal da Escola, por meio de nomeações, considerando quadros permanentes e suplementares do Ministério da Agricultura.
“A Congregação da antiga EFMV, depois de muito debater o assunto, resolveu, em reunião de 24 de novembro de 1959, modificar o seu currículo provisoriamente, aumentando-o para 5 anos e redistribuindo as cadeiras em nova seriação. A modificação, aprovada pela Superintendência do Ensino Agrícola e Veterinário, entrou em vigor a partir de 1960. A Lei nº 3.848 de 18 de dezembro de 1960, que criou a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFERJ), incorporou a essa a antiga Escola Fluminense de Medicina Veterinária, com a denominação de Faculdade de Veterinária da UFERJ.
Cabe ressaltar que esse processo de reconhecimento, federalização, criação de quadro de pessoal, que foi implantado pelo Governo Federal, fez parte de um plano de realizações estabelecido entre a EFMV e o Ministério de Agricultura, iniciado em 1951. Tal plano foi plenamente implementado com a incorporação da Faculdade de Veterinária (antiga Escola Fluminense de Medicina Veterinária) à UFERJ. Esse plano de realizações foi submetido ao Conselho Universitário da UFERJ e à Superintendência do Ensino Agrícola e Veterinário, e dentre as metas previstas, estava a instalação de uma granja-escola em Iguaba Grande, projeto gestado desde 1960, com meta de implantação para 1965.
“A criação da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFERJ), pela lei 3.848 de 18 de dezembro de 1960, foi a reunião de importantes faculdades da capital, que há época havia pouco mais de três mil alunos matriculados. A UFERJ reuniu dez instituições de ensino superior fluminense localizadas em Niterói, enquadradas sob variados regimes de vinculação jurídica: federais (Farmácia e Odontologia, Direito, Medicina e Veterinária), estaduais (Engenharia, Enfermagem e Serviço Social) e particulares (Filosofia e Economia). Em 11 de abril de 1961, a UFERJ foi oficialmente instalada, em sessão solene realizada no Teatro Municipal de Niterói, com a presença do Ministro da Educação Brígido Tinoco, do governador Celso Peçanha e do arcebispo Dom Antônio de Almeida Morais Júnior, além de políticos, professores e estudantes.”
A UFERJ, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, em 05 de novembro de 1965 passou a ser denominada Universidade Federal Fluminense (UFF), mudança realizada a partir da aprovação da Lei Federal n. 4.831. Naquela época, a UFF era composta por um conjunto de 10 faculdades e escolas, que passaram a denominar-se: Faculdade de Medicina, Faculdade de Direito, Faculdade de Farmácia, Faculdade de Odontologia, Faculdade de Veterinária, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, Escola de Engenharia, Faculdade de Ciências Econômicas, Escola de Serviço Social e Escola de Enfermagem. Cabe salientar que o Decreto-lei nº 53, de 18 de novembro de 1966, fixou os princípios e as normas de organização para as Universidades Federais brasileiras, dentre as quais obrigava uma organização em que houvesse Unidades de Ensino e Pesquisa básica e aplicada.
Esse Decreto-lei, em seu artigo 6º, estabelecia o prazo de 180 dias para todas as Universidades brasileiras apresentarem seus planos de reestruturação ao Ministério da Educação e Cultura (MEC), para que, ouvido o Conselho Federal de Educação, fossem elaborados os projetos dos respectivos decretos de criação. Esse decreto também estabelecia o prazo de 90 dias, a contar da data de sua publicação, para submeter o Estatuto da Universidade adaptado às disposições da presente lei à aprovação do Conselho Federal de Educação. Mais informações podem ser encontradas no site: https://historiabiomedico.uff.br/criacao/
Em agosto de 1966 foi criado um Grupo de Trabalho na UFF com a finalidade de acelerar na instituição o processo de reforma que já se desenhava no horizonte das Universidades federais, publicado em 18 de novembro do corrente ano. A reforma torna-se implementada a partir desse decreto e do Decreto-Lei n.º 252, de 28 de fevereiro de 1967. Tais dispositivos legais visavam determinar uma organização mínima para as instituições universitárias. A partir deles, estabeleceu-se a pesquisa como algo a ser desenvolvido nessas instituições e o departamento como menor fração da estrutura universitária para “efeitos de organização administrativa e didático-científica e de distribuição de pessoal”.
Em 30 maio de 1967, foi realizado o 1º Simpósio de Reforma Universitária, inspirado no modelo universitário estadunidense. Nesse evento, foi apresentada a minuta na forma de Anteprojeto de Reestruturação, que incluía a criação de seis Centros vinculando 7 Institutos de Estudos Gerais, 12 Institutos de Estudos Básicos e 24 Institutos de Formação Profissional. Nessa proposição haveria Institutos que se encarregariam das matérias do ciclo básico, que todos os estudantes deveriam cursar, de acordo com a área de conhecimento escolhida, além de Faculdades, Escolas e Cursos que seriam “unidades de formação profissional e de pesquisa aplicada”.
Divergindo da proposta do Anteprojeto de Reestruturação da UFF, em 15 de março de 1968, o Decreto n° 62.414, que dispôs sobre a reestruturação da UFF, foi publicado pelo presidente Arthur da Costa e Silva. O artigo 1º traz as vinte unidades de estudos básicos e de aplicação. Ainda, no seu artigo 4º, a estrutura da UFF é definida com apenas quatro Centros: Estudos Gerais (CEG), Estudos Sociais Aplicados (CES), Tecnológico (CET) e Ciências Médicas (CCM), sendo que o Centro de Ciências Médicas abrange: Faculdade de Medicina; Faculdade de Odontologia; Faculdade de Farmácia; Faculdade de Veterinária; Escola de Enfermagem; Instituto Bio-Médico. Portanto, a partir da Reforma Universitária em âmbito nacional, e pelo decreto supracitado, a UFF passou a ser constituída da seguinte forma:
Gradativamente, as universidades faziam a implementação do sistema de créditos por disciplinas, saindo dos modelos fechados de curso por disciplinas obrigatórias anuais. Para contextualizar e conforme disponível na história da criação do Instituto Biomédico, seguem-se os atos normativos de importância no processo de criação da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Ainda cabe salientar que em 8 de maio de 1968, o Decreto nº 62674 dispõem sobre o quadro único de pessoal da Universidade Federal Fluminense, contendo classes, séries, denominações e número de cargos, além de cargos categorizados como parte transitória.
***Os trechos aqui apresentados foram retirados ipsis litteris de diferentes fontes impressas e digitais e compilados para essa apresentação***
Para maiores informações: http://www.memoria.uff.br/ e https://historiabiomedico.uff.br/
Referências Bibliográficas
HISTÓRIA da medicina veterinária no Brasil. – Brasília : Conselho Federal de Medicina Veterinária, 2002. 228p.
Portal UFF MEMÓRIA INFORMAÇÃO. UFERJ. Disponível em: <http://www.memoria.uff.br/index.php/uferj>. Acesso em: 27 out. 2025.
Portal UFF MEMÓRIA INFORMAÇÃO. UFF. Disponível em: <http://www.memoria.uff.br/index.php/uff>. Acesso em: 27 out. 2025.
UFF inaugura hospital veterinário e faz cerca de 30 atendimentos por dia. Universidade Federal Fluminense. Disponível em: <https://www.uff.br/01-05-2007/uff-inaugura-hospital-veterinario-e-faz-cerca-de-30-atendimentos-por-dia/>. Acesso em: 27 out. 2025.
MORAES, Lincoln Gripp de. Escola Fluminense de Medicina Veterinária: breve histórico. Anais da Escola Fluminense de Medicina Veterinária, ano 1, p. 5-14, 1958.
MORAES, Lincoln Gripp de. Faculdade de Veterinária da UFERJ. Revista da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, ano 1, v. 3, p. 11, 1965.
PEREIRA, Durval de Almeida Baptista. Contribuição para a história da UFF: a luta para sua criação e os fatos que geraram as crises dos primeiros anos de existência 1947-1966. Niterói: UFF, Imprensa Universitária, CEUFF, 1966. p. 20-21.
Professor Américo de Souza Braga
Filho do Coronel Antônio Joaquim de Vasconcelos Braga e de Dona Zulmira de Souza Braga, nasceu no dia 18 de janeiro de 1899, em Santarém (PA) e faleceu em 9 de junho de 1947, em Niterói (RJ). A época, em sua terra natal, fez o curso primário em Santarém e por indicação de seus pais, deixou sua terra natal no ano de 1913, aos 14 anos, rumo ao Rio de Janeiro, àquela época Capital da República, a fim de realizar os preparatórios para o ingresso no curso superior. Entrou para o Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, a fim de concluir seu curso secundário em 1917, no qual obteve o título de Bacharel em Letras, grau que principalmente no período do Império funcionava como uma certificação de ensino secundário de elite, habilitando os alunos ao ingresso direto nas faculdades superiores.
Américo de Souza Braga iniciou o curso de Medicina Veterinária em 1918, concluindo em 18 de dezembro de 1921, com 22 anos de idade, sendo diplomado pela Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária (ESAMV), que teve seus cursos desmembrados em duas instituições distintas em 1934: a Escola Nacional de Agronomia (ENA) e a Escola Nacional de Veterinária (ENV). Pela ESAMV (que ocupou o Horto Botânico do Rio de Janeiro, localizado na cidade de Niterói-RJ entre 1918 e 1927), classificou-se num honroso 1° lugar, dividindo esse destaque e honraria com o seu colega de turma Otto Magalhães Pecego.
Iniciou sua carreira profissional como biologista, em 8 de abril de 1922, no antigo Serviço de Indústria Pastoril do Ministério da Agricultura, atual Serviço de Inspeção Federal-SIF. Foi o começo de uma vida inteiramente devotada à pesquisa, à ciência e a medicina veterinária. Organizou e presidiu o 1º Congresso Brasileiro de Medicina Veterinária, realizado em 1922. Ainda, seu primeiro trabalho publicado foi ‘Os efeitos da hexametilenotetramina na difteria aviária” – In “Boi. Soc. Bras. Med. Vet.”, 1 (2): 61, em 1924.
Apesar da colação de grau ter ocorrido em 1921, seu diploma de Médico Veterinário pela Escola Superior de Agronomia e Medicina Veterinária é datado de 18 de Maio de 1932, no qual a ESAMV ocupava o edifício sede do primeiro Ministério da Agricultura, na Av. Pasteur, nº 404, na Praia Vermelha, desde 1927. Em 1º de março de 1933 foi nomeado Assistente-Técnico do Instituto de Biologia Animal do Ministério da Agricultura e, em 18 de agosto de 1933 ocupou o cargo de Assistente-Chefe do Laboratório Central da Indústria Animal, ascendendo em ambas as repartições a posição de Diretor-Substituto. Com essas funções era impossível afastar-se das práticas educacionais, nas quais teria de dinamizar os conhecimentos auferidos no trato diário com animais enfermos.
Em 1935, descontente com a transferência da sede da ESAMV de Niterói para a Praia Vermelha, no Rio de Janeiro (desde 1927) e as dificuldades técnicas, sociais e administrativas inerentes dessas constantes mudanças, liderou junto com alguns professores da ESAMV e o Dr. Vital Brasil Filho, um movimento político para fundação da Escola Fluminense de Medicina Veterinária (EFMV). A nova EFMV, em Niterói, nasceu com uma proposta inspirada em cursos de países com economia rural mais avançada, que previa a formação de veterinários progressistas, de forma e incentivar a opção dos adolescentes fluminenses para o trabalho nas áreas rurais. A Escola, tendo sido reconhecida em 1941, também oferecia um curso destinado à formação de práticos rurais, mantido pela Secretaria de Agricultura do Estado do Rio de Janeiro.
Mestre de palavra fácil e grande saber, polarizava a atenção de todos, o cientista Américo Braga tinha trânsito livre nos principais institutos e escolas de ensino e pesquisa do Brasil, onde tinha grandes amigos, principalmente: Escola Veterinária do Exército, Instituto FioCruz, e Instituto Butantã-SP.
Pesquisador autêntico, muito contribuiu para a Ciência Brasileira, desenvolvendo projetos experimentais no Instituto Vital Brazil, no Instituto de Biologia Animal e no Laboratório Nacional de Pesquisas de Alfort (França). Entre outros trabalhos podemos citar: Pesquisas sobre Raiva, Cinomose, Varíola Aviária Pasteurelose, Doenças de Aujeszki, Edema Gasoso, Peste Suína, Carbúnculo Sintomático, Mixomatose dos Coelhos, Rangeiiose, Brucelose, etc. Escreveu cerca de 100 artigos científicos, publicados no Brasil e no estrangeiro, fez trabalhos de divulgação, dezenas de conferências e escreveu o conhecido tratado em 4 volumes “Soros, Vacinas Imunígenos e Alergenos”.
Idealista, Braga mereceu ser cognominado de “SEMEADOR DA VETERINÁRIA NO BRASIL”, graças ao seu esforço pessoal. Pelos seus estudos e pesquisas incansáveis, aumentou de modo brilhante o patrimônio científico nacional, com trabalhos sobre bacteriologia, em cujo terreno demonstrou acentuado pendor e invulgar cultura. Representou a Medicina Veterinária Brasileira nos Congressos Internacionais de Londres (1930), New York (1934) e Zurich (1938).
O Professor Américo Braga, era incansável defensor da padronização no fabrico dos produtos biológicos, pela falta de uma estandardização, traduzida na disparidade da posologia e na dificuldade de apreciação da eficiência dos resultados; defendia inclusive o Grande Mestre a criação de um Instituto Pan-Americano de Padrões Biológicos.
De sua magnífica obra pode-se citar alguns fatos importantes: presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Veterinária (1930-34); influência e participação diretamente na fundação da Escola Fluminense de Medicina Veterinária (1936); professor catedrático da Escola Nacional de Veterinária (1934 -1937); direção do Hospital Veterinário da ESAMV e Diretor da Escola Fluminense de Medicina Veterinária (1936 – 1947); fundou e dirigiu o Instituto Biológico do Rio de Janeiro (1945 -1947).
Até 9 de junho de 1947, dia da sua morte, ocupava três lugares aos quais se devotava com afinco: Catedrático da 12ª. cadeira da Escola Fluminense de Medicina Veterinária (Pro-pedêutica, patologia e clínica médica dos pequenos animais domésticos), diretor dessa mesma Escola, ambos desde 1936; e, Catedrático interino da 8ª. cadeira (Microbiologia e Imunologia) da Escola Nacional de Veterinária, do Ministério da Agricultura, em 1946. Também, cabe salientar que foi Catedrático interino da 10ª cadeira (Patologia e clínica médicas dos caninos, das aves e dos pequenos animais domésticos) da Escola Nacional de Veterinária (1934 até 1937). Ao talento e operosidade desse sábio, nosso grande e inesquecível fundador da Escola Fluminense de Medicina Veterinária, o nosso imorredouro reconhecimento.
HOMENAGENS:
– Patrono da Academia Oficial de Letras do Estado do Rio de Janeiro -AFL ( Leis 2.612/1927 e 7.588/2017). Classe de Ciências: Cadeira nº 01 – Américo de Souza Braga, RJ, 2017.
– Patrono da Academia Brasileira de Medicina Veterinária – ABRAMVET, Cadeira nº 01. Américo de Souza Braga. Rio de Janeiro, 1983.
– SEMANBRA. Semana Acadêmica Américo de Souza Braga. Criada pelo Diretório Acadêmico Vital Brazil Filho, em 1972, para homenagear anualmente, o Doutor Américo Braga, fundador e primeiro Diretor da Escola Fluminense de Medicina Veterinária (EFMV).
– Lei nº 1301 de 21 de julho de 1988, vereador Osvaldo Luiz, dá o nome Américo de Souza Braga a um logradouro da cidade do Rio de Janeiro, Prefeito Saturnino Braga, Câmara Municipal, Rio de Janeiro, 1988.
– Lei nº 15 022, de 27 de junho de 1994, mudança de nome de rua Girassol para Rua Dr. Américo Braga, Prefeito Rui Imbiriba Correa, Santarém, Pará-PA.
– Rua Professor Américo de Souza Braga, prefeito Axel Schmidt Grael, CEP 24 130 230, Bairro Fonseca, Niterói, RJ.
Referências Bibliográficas
ALENCAR FILHO, Rufino Antunes de. Biografia De Médicos Veterinários Ilustres. CRAM-RJ. 1ª Edição, Setembro, 2000.
CENTRO DE CONTROLE DE ZOONOSES-CCZ, Niterói. Quem foi o professor Américo Braga? cczniteroirjblogspot.com. Niterói, 2019.
FONSECA, Wilson. Um cientista Santareno in: Caboclo Tapajônico. Santarém, Pará-PA, 2016.
INSTITUTO VITAL BRAZIL : “Soros, Vacinas, Alérgenos e Imunógenos” Boletim Vital Brazil (1940;1941;1942; 1943). Instituto Vital Brazil, Niterói, 1943.
MACEDO, José Elivaldo. Caboclo Tapajônico, Blogger. O Município de Santarém, Sua história, Seus Encantos, Santarém-PA, 2020.
MORAES, Lincoln Gripp de. Escola Fluminense de Medicina Veterinária. Revista da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, ano 1, v. 3, p. 11, 1965.
NASCENTE, da Silva, Livia. “Américo Braga”. Boletim do Instituto Vital Brazil, Niterói, 2024.
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE – UFF. Portal Memória Informação. Linha do Tempo. https://linhadotempo.uff.br. Niterói-RJ, 1911.
OTRANTO, Celia Regina. O Ensino Superior Agronômico Brasileiro No Início Do Século Xx E A Importância Da Escola Superior De Agricultura E Medicina Veterinária. Agronomia, v.38, n°.1, p. 05 – 10, 2004.
TEIXEIRA, Mário Dias. Professor Américo de Souza Braga, Glória da Veterinária Brasileira; ensaio biográfico. Belém, FCAP, 1975. 41p.
Nota: Américo de Souza Braga, adolescente.
Nota: Professor Américo de Souza Braga. Fonte: Arquivo da Faculdade de Veterinária.
Nota: Professor Américo de Souza Braga (Diretor sendo entrevistado por um Jornalista).
Fonte: Arquivo da Faculdade de Veterinária.
A Escola Fluminense de Medicina Veterinária (EFMV), fundada em 11 de março de 1936, reconhecida pelo Estado do Rio de Janeiro no mesmo ano e federalizada em 1950, torna-se Faculdade de Veterinária sob a Lei nº 3.848 de 18 de dezembro de 1960, que criou a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFERJ), no qual incorporou a essa a antiga EFMV.
Em 5 de novembro de 1965, por meio da Lei nº. 4.831, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFERJ) recebeu a denominação de Universidade Federal Fluminense (UFF). Essa lei implementava o dispositivo por meio do qual as universidades federais situadas nas capitais dos estados seriam denominadas de “Universidades Federais”, seguindo-se do nome dos seus respectivos estados. A Universidade do Brasil passaria a ser denominada, a partir desse momento, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), embora estivesse situada no Estado da Guanabara [à época].
Na atualidade, a Faculdade de Veterinária possui três polos. A sede localizada em Niterói, no bairro Vital Brazil, no qual funcionam a Direção, os Departamentos de Ensino, a Coordenação do Curso de Graduação e das Pós-Graduações, a Residência em medicina veterinária, a biblioteca setorial e o Hospital Veterinário, além de laboratórios e um bloco de salas de aula. O segundo polo é o Núcleo Experimental de Iguaba Grande (NEIG), situado no atual município de Iguaba Grande, antigo distrito do município de São Pedro d’Aldeia, Região dos Lagos, no Estado do Rio de Janeiro. A área total é de 1.694.000 m², sendo 1.355.200 m² de mata subtropical, foi doada do governo federal para a instituição em 1960, com o objetivo de funcionar como uma granja-escola, destinada a aulas práticas da Faculdade de Veterinária da UFF.
O terceiro polo é a Fazenda Escola de Cachoeiras de Macacu (FECM), situada no Km 34 da Rodovia Rio – Nova Friburgo 122, no município de Cachoeiras de Macacu, Rio de Janeiro. A Fazenda Escola foi adquirida em 1988 e possui 168 hectares compostos de pastagens, benfeitorias e área de reserva legal. Na propriedade são realizadas atividades de ensino, pesquisa e extensão.
A Faculdade de Veterinária tem por finalidade colaborar com os ideais promovidos pela Universidade Federal Fluminense (UFF), por meio de seu Estatuto e Regimento Geral, bem como o Regimento do Centro de Ciências Médicas.
Missão:
Visão:
Valores:
Quanto as instalações da atual Faculdade de Veterinária (CMV) da Universidade Federal Fluminense (UFF), integram a sua infraestrutura, as construções existentes desde 1939 no Campus urbano da Faculdade, ou seja, na sua sede, localizada na Rua Vital Brasil Filho nº 64, em Niterói.
Ainda, compõem o Núcleo Experimental de Iguaba Grande (NEIG), situado às margens da Lagoa de Araruama, no atual município de Iguaba Grande, distante 135 quilômetros de Niterói.
Outra infraestrutura pertencente a Faculdade de Veterinária da UFF é a Fazenda Escola de Cachoeiras de Macacu (FECM), localizada na cidade de Cachoeiras de Macacu, no km 34 da RJ-122.
A Sede
Tendo sido fundada em 11 de março de 1936, a Escola Fluminense de Medicina Veterinária (EFMV) funcionou inicialmente no Horto de Niterói, no bairro do Fonseca. A época utilizava as instalações da extinta Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária do Ministério da Agricultura. Há relatos na literatura que entre 1937 até 1939 a EFMV passou para um prédio da Rua Visconde do Rio Branco, entretanto, não foram encontradas informações das instalações desse período.
Já em 30 de outubro de 1939, por meio do Doutor Vital Brazil, ocorreu a doação de um terreno desmembrado do Instituto Vital Brazil (IVB), com a finalidade de construir a sede própria da EFMV. Na escritura, realizada no Cartório do 9º Ofício, na Rua Coronel Gomes Machado, nº 68, em Niterói, lavrada pelo tabelião Carlos de Schueler, a mesma trata da “doação condicional com cláusula de reversão”, possuindo como “outorgantes doadores o Doutor Vital Brazil Mineiro da Campanha e sua mulher Dinah Vital Brazil, proprietários” e “como outorgada donatária a Escola Fluminense de Medicina Veterinária, representada por seu diretor Dr. Américo de Souza Braga”.
O IVB foi construído em uma grande área que abrigava a antiga Olaria Santa Rosa, em Niterói, tendo inaugurado sua sede definitiva em 11 de setembro de 1943. Em 01 de agosto de 1938, o Estado do Rio de Janeiro, representado pelo senhor Doutor Elysio da Silva Pinheiro, Procurador da Fazenda, vende ao outorgado comprador, o senhor Doutor Vital Brazil Mineiro da Campanha a área total de 379.265m². Da extensão originalmente comprada por Vital Brazil, um ano e dois meses após a compra, foi doado um terreno com área de 6.481m² para a EFMV, baseado em seis condições, sendo: “PRIMEIRA – A donatária obriga-se a construir nesse terreno os edifícios e instalações necessários ao ensino da medicina veterinária e tudo que com ele se relacione dentro do prazo de cinco anos, desta data. SEGUNDA – A donatária obriga-se a não empregar o terreno hora doado em outro qualquer fim que não seja o do ensino de medicina veterinária e correlatos. Por outro lado esse terreno não poderá sofrer modificações de sua forma ou ser aproveitado para misteres diversos aos indispensáveis as atividades da escola donatária nem esta poderá transferir-se para qualquer outro local (art. 2 do Decreto nº 478 de 7 de Julho de 1938). TERCEIRA – A donatária obriga-se a não produzir qualquer produto de uso veterinário. QUARTA – A falta de cumprimento de qualquer das condições, acima referidas e, também, no caso de extinção da escola donatária, por qualquer motivo, o terreno ora doado reverterá com todas as suas benfeitorias e instalações, ao patrimônio dos doadores, integrando-se o terreno doado no que foi desmembrado para os efeitos do estatuto pelo art. 2 e seu parágrafo do Dec. 478 de 7 de Julho de 1938, sem que a donatária assista qualquer direito a indenização pelas mesmas benfeitorias. QUINTA – Para os efetivos fiscais dá-se a preservar o valor de 50:000$000 [cinquenta mil contos de réis]. SEXTA – Nos termos do § único do art 1º do Dec. Lei 17 de 22 de setembro do corrente ano, a presente doação fica ainda subordinada às condições constantes do art. 2º e seu § único e as constantes da escritura de aquisição dos outorgados, retrocitada.”
Nota: Escritura da doação do terreno. Fonte: Arquivos da Faculdade de Veterinária.
Em reportagem encontrada em um livro de recortes de noticiário sobre a Escola Fluminense de Medicina Veterinária (EFMV), o Jornal O Globo, relata que em 27 de dezembro de 1939, em um domingo pela manhã, houve o Lançamento da Pedra Fundamental da EFMV, em terreno doado pelo IVB, no qual será edificado de acordo com todas as exigências modernas e terá instalações apropriadas ao funcionamento da Escola, devendo ficar pronto dentro de noventa dias.
Nota: Reportagem referente ao lançamento da Pedra Fundamental, Jornal o Globo (27/12/1939). Fonte: Arquivos da Faculdade de Veterinária.
Na tarde do dia 4 de maio de 1940, às 16h, na Rua Vital Brasil Filho, ocorreu a inauguração do primeiro pavilhão da Escola Fluminense de Medicina Veterinária, segundo o Jornal O Estado. Esse, que ocupa uma área de 300m², é constituido de duas grandes salas destinadas as aulas teóricas, com serviços de aparelhagem de dispositivos, epidiascópio e microprojeção; gabinete da Diretoria, secretaria, Centro Acadêmico, anfiteatro para aulas de zootecnia, patologia e clínica dos grandes animais e laboratórios de histo-anatomo-patologico, parasitologia e microbiologia.
Nota: Reportagem referente a inauguração do 1º pavilhão, Jornal o Estado (maio de 1940). Fonte: Arquivos da Faculdade de Veterinária.
Com a presença de elevado número de pessoas da comunidade e da Congregação da Escola, o Professor América Braga deu início a cerimônia no qual apresentou uma placa em bronze com a seguinte legenda: “Escola Fluminense de Medicina Veterinária, Construída no Governo do Comandante Ernani do Amaral Peixoto, sendo Secretário da Agricultura o dr. Rubens de Campos Farrula e de Educação o dr. Ruy Buarque de Nazareth e prefeito de Nictheroy o dr. Brandão Júnior, sob a vigência da Diretoria: professores Americo Braga, Director; Argemiro Oliveira, vice-directos; Salomão Cruz, thesoureiro e Secretário Ayrton Ribeiro Gomes. Construção do architecto Augusto R de Mattos. Terrenos doados pelo professor Vital Brazil. Abril de 1940”.
Na ocasião, o Jornal O Estado traz o discurso do Professor Américo Braga: “A expressiva cerimônia hora realizada encarna algo mais significativo do que uma vulgar solenidade de inauguração de um prédio. Sobre pôr em relevo os nobres e meritórios esforços do Governo e de um grupo de idealistas, representa o termo de um sonho, acariciado, cultivado e efetivado, segundo a ardente aspiração de quantos possuem o nome do Brasil bem agasalhado no generoso coração.
Esta Escola foi criada no profícuo governo do eminente brasileiro Comandante Ary Parreiras, no prédio onde presentemente funciona a Secretaria de Agricultura. Seis meses depois, o governo do saudoso Almirante Protógenes Guimarães oficializou-a, sancionando brilhantíssimo projeto aprovado por unanimidade pela Assembleia Legislativa Estadual e trazendo a assinatura de Nelson Pinheiro de Andrade, Mário Guimarães, Antônio Roussouliéres, Clodomiro Vasconcellos, Cezar Ferolla, Luiz Guarino, Jerônymo Dias, Lutero Santos, Humberto de Moraes, Ernani do Couto, Mário Alves, Paulo Araújo, Moraes Souza, Jaime Figueiredo, Altivo Linhares, Olympio Pinto, Júlio de Mello, José Leomil, Nelson Kemp, Anthero Manhães, Luiz Carpentes, Romão Júnior e Ismar Tavares.”
Em recorte do Jornal O Estado, relata-se que naquela cerimônia foram passados três filmes, cabendo a aula inaugural ao professor José Luiz Guimarães dos Santos, chefe de gabinete do Secretário da Agricultura, Dr. Rubens Farrula.
Ainda em 1940, mais precisamente em 11 de julho, há um recorte do Jornal o Diário da Noite, que traz a notícia de abertura de crédito para melhorias na EFMV. O crédito de 70:000$000 foi determinado pelo interventor Ernani do Amaral Peixoto, a fim de dar prosseguimento nas obras de construção do segundo pavilhão da Escola. Como curiosidade, a quantia de 70:000$000 (70 contos de réis ou 70 mil-réis) era uma fortuna considerável no Brasil da época. Para colocar em perspectiva, o salário mínimo oficial foi instituído no Brasil apenas em maio de 1940, com valores variando entre 90$000 a 240$000 réis por mês, dependendo da região. Portanto, 70 contos de réis era o equivalente a muitos anos de salário de um trabalhador comum.
Em reportagem do Jornal O Globo de 1941, o professor Américo Braga relata sobre as primeiras instalações, no qual, “a sede da escola ergue-se numa área constituída de aproximadamente 650m², dispondo o prédio de ótimas instalações, que se dividem em seis amplos laboratórios, três salas de aulas teóricas providas de aparelhos de projeção, um anfiteatro zootécnico, biblioteca, secretaria, salas de estar para os alunos, instalações higiênicas, residência do zelador, etc.” Ainda, “todas essas instalações São devidas ao governo do comandante Ernani do Amaral Peixoto que tem procurado dar nova orientação às explorações zootécnicas, agrícolas, pastoris e de indústrias rurais no estado do Rio, formando homens capazes de poder dirigir e orientar tais explorações”.
Encontra-se uma placa comemorativa em alusão a construção da segunda Ala da Escola Fluminense de Medicina Veterinária, com 340 metros quadrados de área construída, em terreno doado pelo Dr. Vital Brazil, no qual ocorreu em novembro de 1942. A partir dessas informações se subentende que na inauguração que ocorreu em 4 de maio de 1940, apenas uma Ala de 300m² da EFMV estava finalizada, portanto, a segunda ala do andar térreo foi inaugurada apenas em novembro de 1942, totalizando 640m² no primeiro pavimento.
Em 18 de abril de 1941, no Jornal A Noite é noticiado que “o Sr. Rubens Farrula, secretário de Agricultura do Estado do Rio de Janeiro, cuja operosidade, competência e dedicação patriótica muito devem os Fluminenses, fez uma consulta ao Ministro Fernando Costa sobre a possibilidade de doação à Escola Fluminense de Medicina Veterinária de aparelhos científicos didáticos, afim de que o mencionado Educandário tornasse cada vez mais eficiente os ensinamentos que ali se ministram.” Após autorização do Presidente da República, a Escola “vai receber microscópios, estereoscópios, e pidioscópios para diapositivos e epidioscopia, aparelhos de microdesenho e microprojeção, estudos a gás para culturas bacteriológicas e preparações em parafina, aforaoculares e objetivas de vários tipos.”
Com a federalização da Escola autorizada pela Lei nº 1055 de 16 de Janeiro de 1950 e posterior criação de quadro de pessoal, em 14 de outubro de 1952 registra-se pelo tabelião do nono ofício de notas e Oficial do Registro de Imóveis a escritura de transferência de bens que a Escola Fluminense de Medicina Veterinária outorga ao Governo da União. “ De um lado como outorgante, a Congregação da Escola Fluminense de Medicina Veterinária, representada pelo professor Dr. Moacyr Alves de Souza, […] e de outro lado, como outorgada, a União Federal, representada pelo Procurador da Fazenda Federal neste Estado, Dr. Ruy Buarque de Nazareth, […] designado pela portaria do Senhor Ministro da Agricultura nº 985, de 17 de setembro de 1952, para receber o acervo da Escola Fluminense de Medicina Veterinária, cuja incorporação ao patrimônio nacional foi outorgada pela Lei nº 1055, de16 de Janeiro de 1950”.
Ainda consta, na referida Escritura, os bens constituídos do patrimônio da EFMV, “a saber: I) um terreno de 6.481 m², […], avaliação Cr$ 2.694.400,00 (dois milhões seiscentos e noventa e quatro mil e quatrocentos cruzeiros); II) Um prédio antigo de dois pavimentos, medindo, o primeiro 640 metros quadrados e 3 metros de altura, dividido em 10 salas de tamanhos diversos, e o segundo pavimento 320 metros quadrados por 3 metros de altura, sem divisões internas, servindo como Salão Nobre. Avaliação Cr$1.194.600,00 (um milhão cento e noventa e quatro mil e seiscentos cruzeiros ); III) O prédio novo, denominado pavilhão de Clínicas, de 2 pavimentos, tendo o primeiro 292,20 metros quadrados por 4 m de altura e o segundo pavimento, com três salões, três salas de professores e demais dependências. Avaliação Cr$976.000,00 (novecentos e setenta e seis mil cruzeiros). IV) Uma residência do zelador com 81 metros quadrados por 3 metros de altura, com 3 quartos, duas salas cozinha e banheiro. Avaliação Cr$50.000,00 (cinquenta mil cruzeiros). V) Um campo de basquetebol com 435 metros quadrados, provido de iluminação elétrica. Avaliação Cr$38.080,00 (trinta e oito mil e oitenta cruzeiros).”
Entre as décadas de 1950 e 1970, as instalações da sede foram ampliadas. Há um arquivo denominado História da Faculdade de Veterinária da UFF, na biblioteca setorial da unidade, fichado em 1977, porém acredita-se se escrito em 1969, no qual traz um diagnóstico da situação atual. O documento descreve que a Faculdade de Veterinária possui instalações distribuídas em pavilhões sumariamente desiguais, sendo: “a) Pavilhão Central com reforma recente e abrigando o gabinete do diretor, secretaria, sala de reuniões, salas de aula, dependências de professores, restaurante, laboratórios e instalações da Policlínica Veterinária para atendimento ao público. b) Pavilhão da biblioteca e documentação – necessitando de reforma e adaptação, já programadas, e que abriga no momento a biblioteca, o diretório acadêmico Vital Brasil Filho, a associação atlética, o setor de audiovisual e o almoxarifado. c) Instituto anatômico – no qual ainda funcionam as disciplinas de anatomia veterinária, pois não foram transferidas para o Instituto biomédico por falta de local apropriado; anatomia patológica, um auditório, bem como gabinetes para professores em instalações sanitárias. d) Pavilhão Américo Braga – em estado precário de conservação abrigando as disciplinas de doenças infecto-contagiosas, clínica dos pequenos animais, antigo restaurante, e dotado de instalações sanitárias também insuficientes. d) Garagem para abrigo das viaturas em reforma parcial recente; apartamento do vigia recentemente construído e, o Pavilhão cirúrgico, em construção.”
O prédio descrito como Pavilhão Principal é o originalmente construído em 1939, sendo totalmente finalizado em 1942. Esse, em 2025 abriga no primeiro pavimento o departamento MSV, laboratórios e o restaurante universitário. No segundo pavimento encontram-se o departamento MZO, alguns laboratórios (incluindo o de informática), direção, secretaria da direção e salão nobre. O segundo prédio, inaugurado em abril de 1952 e denominado como Pavilhão de Clínicas no documento de transferência para a União, também passou a ser chamado como Pavilhão Américo Braga, entre as décadas de 1960/70. Atualmente (2025), está o departamento MSV. O prédio do antigo instituto anatômico (sem data de construção identificada), é atualmente conhecido por lotar o departamento MTA. O atual prédio onde se encontra a biblioteca, também não possui uma data exata de construção, entretanto foi edificado na década de 1960 e também abriga no primeiro andar o Diretório Acadêmico Vital Brasil Filho (DAVBF) e a sala da assistência social.
O pavilhão cirúrgico que estava em construção no final da década de 1970, era bastante utilizado no início da pós-graduação de Cirurgia e Clínica veterinária. Já entre os anos de 1980 e 1984 foi construído o prédio que atualmente abriga as salas dos professores da reprodução no primeiro pavimento e no segundo pavimento os dois programas de pós graduação da Faculdade de Veterinária (Medicina Veterinária – Clínica e Reprodução Animal; e Higiene Veterinária e Processamento Tecnológico de Produtos de Origem Animal).
O Hospital Universitário de Medicina Veterinária Professor Firmino Marsico Filho (Huvet) teve início das obras em março de 2003 e foi inaugurado em maio de 2007, sendo um projeto da extensão da UFF, promovido pela Pró-Reitoria de Extensão. À época, teve como seu primeiro dirigente o Professor Amary Nascimento Júnior.
As ações de expansão e reforma da infraestrutura da UFF encontraram apoio no Programa de Expansão e Reestruturação do Ministério da Educação e Cultura, conhecido como REUNI, política do Governo Federal iniciada em 2007. No transcurso da gestão do reitor Roberto Salles (2006-2010), o projeto encaminhado pela UFF ao Ministério garantiu recursos do REUNI que permitiram, até 2012, a reestruturações na universidade. Nesse contexto de reestruturação, foi construído o Bloco B e inaugurado em 2013, no qual possui a atual infraestrutura de salas de aulas na Faculdade de Veterinária, além da coordenação de curso e sua respectiva secretaria.
Núcleo Experimental de Iguaba Grande
Texto em construção.
Fazenda Escola Cachoeiras de Macacu
Texto em construção.
“Das aludidas reuniões resultou, em 11 de março de 1936, a fundação sociedade civil Escola Fluminense de Medicina Veterinária, que, de acordo com o seu Estatuto, aprovado em redação final no dia 18 do referido mês e reformado a 14 de agosto do mesmo ano, gozava de completa autonomia didática, econômica e financeira.”
Nas tentativas de pesquisa primária realizadas ao acervo histórico existente na Faculdade de Veterinária da UFF, não fora encontrado o Estatuto da mesma. Entretanto, existem registros que se referem a esse documento. Em 16 de setembro de 1936, no 3º Ofício de Notas, o tabelião e escrivão Ananias Pimentel de Araújo, registra no livro A2 do Registro de Sociedades Civis do cartório, o Estatuto da Escola Fluminense de Medicina Veterinária, apresentado por petição assinada pelo diretor Américo de Souza Braga, acompanhado de dois exemplares do Estatuto e de dois exemplares do Diário Oficial (de mesma data, no qual continha um resumo do Estatuto aprovado pela Congregação).
No resumo, o Estatuto aprovado traz, “Em reunião da Congregação da Escola Fluminense de Medicina Veterinária, realizada em 14 de agosto de 1936, a Alameda São Boaventura, nº 770, nesta cidade, Niterói, Capital do Estado do Rio de Janeiro, em que foram presentes os professores Americo de souza braga, Argemiro de Oliviera, Salomão Vergueiro da Cruz, Fernandes Chaltein, Waldemar de Castro Fretz, Taylor Ribeiro de Mello, Nilo Garcia Carneiro, Sylvio Torres, Geneville Hermsdorff, Henrique Blanc de Freitas, Waldemar Raythe de Queiroz e Silva, Alfredo da Costa Monteiro, Fermiano Pires de Camargo e secretário Ayrton Ribeiro Gomes foi aprovado o Regulamento desta Escola”.
Algumas informações importantes pertinentes para o registro histórico cabem ser relatadas aqui. “Este estabelecimento de ensino tem por fim ministrar a instrução profissional e técnica da medicina veterinária e a diplomar alunos que concluírem seus cursos, para o exercício da profissão.” Além do curso normal, ou seja, o de medicina veterinária, a Escola também poderia ministrar cursos de especialização para matérias de caráter experimental e aplicado.
A Congregação, órgão supremo da administração, é constituída de todos os professores catedráticos, sendo a Escola dirigida por um diretor, um vice-diretor, um tesoureiro (eleito dentre os professores) e um secretário. A diretoria é auxiliada por um conselho técnico, composto de três (3) professores catedráticos eleitos anualmente pela Congregação cabendo-lhe representar a escola ativa e passivamente, judicial e extrajudicial. Os professores catedráticos serão vitalícios e não respondem substancialmente pelas obrigações da Escola.
“O patrimônio da Escola será constituído: a) por donativos e legados; b) por auxílios e subvenções do poder público federal, estadual e municipal; c) pelas taxas de matrícula e frequência de seus alunos e dos emolumentos de sua secretaria; d) por imóveis que venham a ser adquiridos e suas rendas; e) pelos móveis, semoventes e material de ensino que forem adquiridos; f) pelos laboratórios e museus que forem adquiridos e instalados.” Ainda, “a Escola é por tempo indeterminado”.
A diretoria da Escola correspondente ao primeiro período administrativo foi eleita e sendo assim constituída: diretor, Prof. Américo de Souza Braga; vice-diretor, Prof. Argemiro de Oliveira; tesoureiro, Prof. Salomão Vergueiro da Cruz; secretário, Ayrton Ribeiro Gomes; Conselho técnico professores Guilherme Edelberto Hermsdorff, Ascanio Faria e Taylor Ribeiro Mello.
Por outro lado, quanto ao Regulamento, a Escola Fluminense de Medicina Veterinária observou a forma do decreto nº 23.858, de 8 de fevereiro de 1934, baixado pela Escola Nacional de Veterinária (antiga Escola Superior de Agricultura e Veterinária), tendo aulas iniciadas apenas em abril de 1936. Desde o início de suas aulas até o ano de 1957 a EFMV obedeceu ao Regulamento da Escola Nacional de Veterinária. Em ofício, datado de 26 de fevereiro de 1957 e, assinado pelo então diretor, Professor Moacyr Alves de Souza, disponível no Arquivo da Faculdade de Veterinária, o texto trata de: um “anteprojeto de regulamento da Escola, elaborado por uma comissão de professores e aprovado pela respectiva Congregação”, submetido a consideração do Superintendente do Ensino Agrícola e Veterinário, do Ministério da Agricultura. Ainda, o ofício traz que “caso venha a ser aprovada a reforma do ensino, ora em estudos no Congresso Nacional, a qual prevê a duração de 5 anos para o curso”, esse curso de veterinária ministrado atualmente em quatro anos terá uma nova distribuição de cadeiras. Ainda, o diretor prossegue ressaltando a necessidade da EFMV possuir um Regulamento próprio no “mais curto prazo que vos for possível, visto já se fazer sentido seriamente a sua falta para a solução de certas questões administrativas da escola, que vem ainda obedecendo ao regulamento antiquado da Escola Nacional de Veterinária.”
Com as discussões associadas a reforma do ensino e as transformações e estruturações promovidas pelo governo federal e, com a criação da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Lei nº 3.848 de 1960), no qual houve a incorporação da Escola Fluminense de Medicina Veterinária, tornando-se a partir dessa Faculdade de Veterinária, não encontramos registros referentes a apreciação e/ou aprovação de tal anteprojeto de Regulamento submetido.
A partir do período citado, até 1975 não foram encontrados novos registros relacionados a Regulamentos ou Regimentos para com a Faculdade de Veterinária. Apenas em 1975, no qual já era considerada Faculdade de Veterinária da Universidade Federal Fluminense (Lei nº 4.831, de 5 de novembro de 1965), há a Resolução nº 63 de 1975, do Conselho Universitário, constando a aprovação na reunião do dia 30 de julho do presente ano. A aprovação traz o Regimento da Faculdade de Veterinária, o qual “complementa o Estatuto e o Regimento Geral da Universidade Federal Fluminense (UFF) e o Regimento do Centro de Ciências Médicas”, ao qual integra a Faculdade de Veterinária. No presente Regimento registra-se a organização de 11 artigos que compreendem: a organização do colegiado, os órgãos executivos (direção, secretaria, departamentos e órgãos suplementares) e seus detalhamentos.
Em ata da Reunião do Colegiado de Unidade da Faculdade de Veterinária da UFF, realizada em 07 de novembro de 1991, em sessão Extraordinária, para tratar do assunto único: alteração do Regimento da Unidade. O objetivo foi incluir as Fazendas do Núcleo Experimental de Iguaba Grande (NEIG) e de Cachoeiras de Macacu (FECM), solicitado pelo Conselho Universitário, em seção de 25 de agosto de 1991, proposição do Conselheiro Rogério Benevento. Segundo consta na Ata, após visita dos membros do Conselho de Curadores da UFF, se sugeriu a inclusão das Fazendas desta Universidade no Patrimônio sob responsabilidade da Faculdade de Veterinária. Para tal, foi-se necessário alterar o Regimento da Faculdade de Veterinária, incluindo as Fazendas no Regimento. Nesse momento, criou-se uma comissão composta pelos Conselheiros Aristeu Peçanha Gonçalves, Maria Lúcia Ribeiro Monteiro e Leopoldo José Cury, que analisaram as sugestões de alteração dos demais Conselheiros e elaboraram um único documento apresentado e aprovado por unanimidade em 14 de novembro de 1991.
Na última reunião do Colegiado de Unidade no qual presidiu em 2003, o professor Geraldo Abreu de Oliveira, esse manifestou a necessidade de atualização do Regimento da Faculdade de Veterinária, em virtude da recente criação do novo departamento de Saúde Coletiva Veterinária e Saúde Pública (MSV). O diretor enfatizou que não conseguiu realizar na sua gestão e comunica em ata a necessidade de que se faça essa atualização na gestão que está assumindo.
A Escola Fluminense de Medicina Veterinária (EFMV), criada em 1936, tornou-se o estabelecimento de ensino superior veterinário mais procurado, mesmo antes de ser federalizado, graças ao conceito de seu corpo docente e pelo fato de estar localizada na antiga capital do Estado do Rio de Janeiro, Niterói.
A primeira turma foi diplomada em 30 de março de 1940, referente aos formandos de 1939. A solenidade ocorreu na Academia Fluminense de Letras, em Niterói. A turma era composta por 21 veterinários, sendo: Aldenor de Castro Madeira; Alvaro José de Souza Lins; Aristofanes Gomes Mendes; Expedito Monteiro Luiz; Fernando Engelhard; Flavio Monerat; Francisco Beltrão Martins; Geraldo Gomes da Silva; Irineu Machado Benevides, José Lobato Boulhosa, José Nardy Fernandes Lima; José Pereira Mouco; José Prado Carvalho; Lincoln Gripp de Moraes; Mario Conceição; Mario dias Teixeira; Newton Guimarães Alves; Odir Marinho Gripp; Pedro Estacio de Queiroz e Silva; Plinio Vieira Pinheiro; e, Zulmira de Menezes. Dessa primeira turma, cinco ficaram como professores da EFMV, sendo: José Nardy Fernandes Lima, Aristofanes Gomes Mendes, Lincoln Gripp de Moraes, José Pereira Mouco e Zulmira de Menezes. Cabe salientar que Zulmira foi a primeira aluna e também a primeira professora da EFMV.
Há um livro de matrículas que registra o ingresso dos alunos, ou seja, a matrícula na EFMV desde o ano de 1936 até 1941. Na página de matrícula individual de cada estudante constam algumas informações, tias como: nome, documentos apresentados, as informações sobre o exame vestibular, as disciplinas cursadas por ano e as respectivas notas. Ainda, podemos visualizar a aula inaugural do curso para os alunos entrantes no ano de 1937, proferida pelo Dr. Vital Brazil.
Em 28 de dezembro de 1940, colou grau a segunda turma de novos médicos veterinários. Desde 1936, ano de sua fundação, até 18 de dezembro de 1960, no qual pela Lei nº 3.848, criou-se a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFERJ), foram diplomadas 22 turmas, sendo no total de 406 profissionais (Anexo 10_História da Faculdade de Veterinária da UFF). De 1961 até 1965, sob a denominação de Faculdade de Veterinária da UFERJ, foram diplomados 140 novos veterinários em 5 turmas (Anexo 10_História da Faculdade de Veterinária da UFF). Portanto, até 1965 foram diplomados 546 profissionais, sendo 21 mulheres. Essa totalidade representa 20% do total de profissionais formados nessa área no Brasil, que à época contava com oito estabelecimentos de ensino dedicados a área em todo no país.
A partir de 1966 até o ano de 1980, sob a denominação Universidade Federal Fluminense, formaram-se mais 25 turmas, representando 1.072 novos veterinários (as). Cabe salientar que, até 1969 as turmas de formandos eram anuais e, a partir de 1970, passaram a ser semestrais, exceto em 1972.
Nos anos iniciais da EFMV, as dificuldades para manutenção da qualidade de seu funcionamento eram muitas, mas a eficiência dos trabalhos ficava assegurada através da cooperação do Instituto Vital Brazil, da Divisão de Inspeção de Origem Animal, dos matadouros de Niterói e Nilópolis, dentre outros, que cediam laboratórios para a realização dos trabalhos práticos dos estudantes e professores. A EFMV foi reconhecida pelo governo federal em 1941 (Decreto Federal nº 8.325 de 3 de novembro de 1941), e sua federalização ocorreu em 16 de janeiro de 1950 (Lei nº 1.055). Alguns legisladores tiveram importante papel no projeto de sua federalização, como os deputados Agostinho Monteiro, Ernani do Amaral Peixoto, Acurcio Francisco Torres e Antônio Botelho Maia. Na Assembléia Legislativa, o apoio vinha através da atuação na tribuna dos deputados Alberto Francisco Torres e Vasconcellos Torres. link: https://linhadotempo.uff.br/node/3340
Quanto ao ensino da Medicina Veterinária, esse por sua vez se inicia no Brasil por meio do Decreto Nº 8.139 de 20 de outubro de 1910, no qual dispõe sobre a criação do ensino agronômico e em seu Art. 13 traz que o curso especial de Médico Veterinário será de quatro anos, divididos em semestres. A EFMV, na década de 1940, emitia um folhete contendo todas as informações relacionadas ao curso de “Médico-Veterinário”, assim escrito à época. Nesse informe contém as informações para os candidatos interessados, inscrições, informações sobre o exame vestibular, época dos exames das disciplinas, taxas e contribuições, além das cadeiras e dos professores (Catedráticos) responsáveis, conforme consta abaixo. 
Segundo reportagem do Jornal O Globo, de 1941, as atividades de ensino eram realizadas em salas de aula, laboratórios e demais dependências da Escola, tendo privilegiada situação de ensino, em que se encontrava o estabelecimento. Numa das dependências internas do Instituto Vital Brazil, a Escola dispunha de uma completa coleção de animais, equinos, suínos, ovinos, bovinos, caprinos, etc., localizados no ambiente exato de fazenda, onde os alunos podem conhecer perfeitamente uma série de doenças desses animais e aprender a curá-las.
Desde a fundação em 1936, o curso de veterinária era de 4 anos, permanecendo com pequenas alterações até 1962. Iniciou com 21 cadeiras, o que ultrapassava o currículo mínimo exigido para a época (16 cadeiras) pelo programa do estabelecimento padrão de Ensino Superior Veterinário no país, que é a Escola Nacional de Veterinária. Essas eram: Zoologia Aplicada, Anatomia Descritiva e Comparada dos Animais Domésticos (2ª Parte), Agrostologia e Economia Rural e, Direito Veterinário e Legislação Rural. A disciplina de ‘Higiene e política sanitária animal – Alimentação dos animais domésticos’ da Escola Nacional de Veterinária, foi transformada em duas: ‘Higiene e alimentação dos animais domésticos’ e ‘Doenças infectocontagiosas – Política sanitária’ na EFMV. Em 1949 a cadeira “Indústria e Inspeção dos produtos de origem animal” se desdobra em duas, a cadeira de “Inspeção sanitária dos produtos de origem animal” e a recém criada, “Tecnologia de Produtos de Origem Animal”, apresentando, portanto 22 cadeiras.
Um acontecimento importante que cabe relatar está no Arquivos da Faculdade de Veterinária, sendo: “A Congregação da antiga Escola, depois de muito debater o assunto, resolveu, em reunião de 24 de novembro de 1959, modificar o seu currículo provisoriamente, aumentando o curso para 5 anos e redistribuindo as cadeiras em nova seriação. A modificação, aprovada pela Superintendência do Ensino Agrícola e Veterinário, entrou em vigor a partir de 1960, porém não há confirmação de sua implementação pela EFMV.
Em 1962, o parecer nº 10 do Conselho Federal de Educação (CFE), estabeleceu diretrizes para a estrutura do currículo mínimo do curso de Medicina Veterinária no Brasil, apresentando 12 cadeiras a fim de uniformizar o Ensino Superior. Para atender ao parecer supracitado, em 23 de janeiro de 1963, a Congregação aprovado um novo currículo que permaneceu em quatro anos, passando a vigorar até 1968, quando foi novamente modificado, para adaptar-se a Reforma Universitária. O currículo de 1963 possuía 21 cadeiras, uma a menos do currículo anterior, pois a “Cadeira de Direito Veterinário. Legislação Rural” fora excluída, cujo professor havia se aposentado recentemente e não houve o preenchido a vaga de Catedrático.
Em 1969, no início da implantação da Reforma Universitária, as disciplinas básicas foram transferidas para o Instituto Biomédico (criado em 15 de março de 1968, Decreto Nº 62.414), tendo a Congregação aprovado o currículo profissional provisório, com 14 disciplinas (aplicado para o 3ª e 4ª série/ano), que funcionou durante o ano de 1969, com as disciplinas distribuídas em três períodos por ano (regime trimestral, ou seja, três trimestres ao ano).
Desde a origem da EFMV, o curso noturno representa tradição dessa Unidade. Registra-se em 1969 que o “turno noturno encara agora implicações pedagógicas, pois recebe a mesma carga horária e jornada de trabalho do turno diurno e, frequentado em sua maioria por elementos que trabalham durante o dia. Assim, funciona 5 dias por semana, das 18h as 23h ininterruptamente. Por outro lado, o turno diurno com as novas cargas horárias por período e a mesma jornada diária de estudo, é frequentado em sua maioria por universitários sem outras atividades, mas também desfavorecidos em termos de melhor atendimento docente, pois esses, como é natural, trabalham preferencialmente à noite.” Cabe salientar que o curso noturno tem a sua última turma formada em julho de 1976.
Ainda, no Arquivo Histórico existente na Unidade foi encontrado um diário de classe da “Cadeira de Clínica dos Grandes Animais”, do ano de Exercício de 1968, no qual o curso de graduação em Medicina Veterinária fazia parte da então Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFERJ). Essa cadeira era ofertada no 4º ano do Curso de Medicina Veterinária, trazendo um detalhamento dos assuntos abordadas em aula, data e professores responsáveis pelas aulas, além da lista de alunos inscritos na disciplina e controle de frequência mensal.
Além do curso superior em Medicina Veterinária, com duração de quatro anos, a EFMV também ofereceu cursos destinado à formação de práticos rurais na década de 1940. Esses cursos eram promovidos e mantidos pela Secretaria de Agricultura, Indústria e Comércio do Estado, nos termos do Decreto n.891 de 16 de junho de 1940. Essa secretaria funcionava no Horto de Niterói, no bairro do Fonseca, e lá ocorriam as aulas práticas e o trabalho de campo para os estudantes do curso, nos anos iniciais. Foi inaugurado na tarde de 10 de julho de 1940 o “Curso de Práticos Ruraes” na Escola Fluminense de Medicina Veterinária, por iniciativa do Comandante Hernani Amaral Peixoto, promovidos pelo Governo do Estado. Após o ato inaugural presidido pelo Professor Américo Braga, a aula inaugural foi proferida pelo Diretor Geral de Agricultura Juvenal da Rocha Nogueira. Ainda, após a solenidade foram exibidos filmes sobre o serviço de “moto-cultura” no Estado do Rio e sobre plantio de algodão. O curso tinham duração de um ano e em 20 de junho de 1940, foi publicado o seu regulamento no Diário Oficial.
Nessa década, em 1940, matricularam-se 36 candidatos na primeira turma de técnicos de piscicultura, curso criado com apoio do governo do comandante Amaral Peixoto, desenvolvendo seus objetivos em cooperação com a Secretaria de Agricultura do Estado do Rio de Janeiro. Segundo as informações dos recortes de jornais existentes no Arquivo Histórico da Faculdade de Veterinária, foram ministradas aulas com feitio prático com ensinamentos da pesca e da piscicultura sob a direção do chefe do Serviço Técnico de Caça e Pesca do Estado, comandante Armando Pina. Após o desenvolvimento de atividades em tanques, chocadeiras, laboratórios e demais instalações do serviço, localizado na Alameda S. Boaventura. Foram 21 os candidatos que obtiveram a competente aprovação, com o certificado de especializado em piscicultura.
Durante a Segunda Guerra Mundial foi criado o “Curso de Enfermagem de Guerra” no Estado do Rio de Janeiro, especificamente entre 1943 e 1944. Estruturado para receber uma preparação intensiva, o curso treinava voluntárias e diplomava enfermeiras especializadas com aulas técnicas realizadas com demonstrações práticas e exercícios profissionais para atuar na Guerra. Coordenado pelo dr. Adauto Werneck, o curso era ministrado na Legião Brasileira de Assistência (LBA) e possuía colaboração com o Instituto Vital Brasil, 3º R.I., Força Policial, e também com a Escola Fluminense de Medicina Veterinária.
Quanto a evolução dos currículos e da carga horária associada ao curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal Fluminense, esse, passou por mudanças ou alterações desde o final da década de 1960. Em arquivo referente a História da Faculdade de Veterinária da UFF, há nele uma página que trata sobre o projeto de reestruturação da Unidade, escrito em 1969. Esse, traz que “a diversificação da jornada de estudo entre os turnos diurno e noturno permitirá que sejam mantidas a tradição da Unidade e a possibilidade de graduação em veterinária para os que exercem outras atividades. A redução da jornada diária de aulas não implica na redução dos créditos ou horas aula na graduação dos estudantes do turno noturno, pois o período de formação é que será estendido, assim, enquanto no diurno as 2044 horas de 118 unidades de crédito são obtidas em seis períodos trimestrais de 14 semanas (70 dias cada período) ou dois anos, no noturno, o serão em seis períodos de 21 semanas (106 dias ao período) ou três anos”.
Em 1970, o Conselho de Ensino e Pesquisa da Universidade Federal Fluminense, resolve apresentar o Currículo de Graduação em Veterinária, dividido em ciclos básico e profissional, contendo 30 disciplinas. Segundo a Resolução nº12/1970, o ciclo básico refere-se as disciplinas comuns a todos os cursos que se relacionam com os estudos das ciências médicas, sendo ministrado na sua totalidade entre sete e no máximo quatorze semestres, com carga horária total de 3.240 horas aula. Cabe ressaltar uma informação interessante para esse período, em pesquisa realizada pelo Professor Mario dias Teixeira (Universidade Federal do Pará), que publicou em 1975 a biografia do Professor Américo Braga, o autor registrou que no ano de 1974 o corpo docente da Faculdade de Veterinária da UFF era composto por 57 professores que lá se graduaram, sendo 13 no ciclo profissional.
Em 1975, a Resolução nº 42 do Conselho de Ensino e Pesquisa da Universidade Federal Fluminense, aprova um novo currículo para o curso de graduação, mantendo as divisões entre ciclos básicos (sendo 17 disciplinas) e o profissional, esse por sua vez dividido entre 32 disciplinas obrigatórias e 11 optativas. O currículo passa a vigorar para os alunos ingressantes a partir do 1º semestre de 1976, implementado com 3.615 horas, o que representa 198 créditos e tendo a mesma duração de períodos letivos que o currículo anterior (mínimo de 7 e máximo de 14 períodos letivos).
A Resolução nº 80 do Conselho de Ensino e Pesquisa da Universidade Federal Fluminense, de 1976, vem para substituir a redação aprovada referente a Resolução nº 42/1975. As alterações apresentadas são as disciplinas de Educação Física e Educação Moral e Cívica, que saem dos ciclo básico e profissional, respectivamente, e aparecem na nova resolução como sendo “ministradas, respectivamente sob a forma de Prática Desportiva e Estudos de Problemas Brasileiros”, no § 2. Ainda, no Art. 2º apresenta carga horária de 3870 horas, com 199 créditos, mantendo a mesma duração de períodos letivos.
Em 21 de fevereiro de 1990, a Resolução nº 21 do Conselho de Ensino e Pesquisa estabelece um novo currículo de graduação em medicina veterinária. A estrutura das disciplinas compreendem os ciclos básico e profissional, sendo 22 e 39, respectivamente. Ademais, haviam 21 disciplinas optativas. A aplicação desse currículo se aplicará aos alunos ingressantes a partir do primeiro semestre de 1990, tendo uma carga horária de 4770 horas e 236 créditos, com duração mínima de 8 semestres e máxima de 16. Cabe salientar que contempla essa carga horária a exigência de 60 horas (4 créditos) para disciplina optativa e 30 horas (2 créditos) para disciplina eletiva.
A Resolução nº 227/2007 estabelece o currículo do curso de graduação em medicina veterinária no qual compreende conteúdos de disciplinas obrigatórias e disciplinas-atividades optativas. Assim sendo, as disciplinas foram organizadas em Núcleo de Formação Específica (58 disciplinas) e disciplinas-atividades optativas (41 disciplinas e 3 atividades complementares de iniciação à Docência, à Pesquisa e Profissional). O currículo aprovado compreende 5.570 horas, tendo duração mínima de 10 períodos letivos e máxima de 16, entrando em vigor no ano de 2008. Em 2014, houve um ajuste curricular no qual compreende a organização entre disciplinas obrigatórias, optativas e atividades complementares. A Resolução nº 353 de 2014, continua apresentando o mesmo formato, sem alteração de carga horária total (5570 horas). Entretanto, em sua estrutura curricular houve aumento de disciplinas no Núcleo de Formação Específica (71 disciplinas obrigatórias), 56 disciplinas optativas e permanecem as Atividades Complementares (Iniciação à Docência, à Pesquisa e Profissional). Ainda, a periodização é apresentada como sendo previsto em 10 períodos letivos e máximo 15. Algumas resoluções apresentaram inserções de disciplinas optativas e alterações de nomes, em anos posteriores. Essas resoluções e outras informações podem ser consultadas no acervo do site.
Desde a primeira turma a formar até 1965 foram diplomados 526 profissionais, em 26 turmas. A partir de 1966 até o ano de 1980, formaram-se mais 25 turmas, representando 1.072 novos veterinários (as). Segundo o Departamento de Administração Escolar (DAE) da Pró-Reitoria de Graduação da UFF, a partir de 1981 até 2025 a Faculdade de Veterinária diplomou 3.342 novos alunos em 90 turmas. Portanto, desde a sua fundação, em 1936, foram 141 turmas e 4.960 formandos.
Referências bibliográficas
MORAES, Lincoln Gripp de. Faculdade de Veterinária da UFERJ. Revista da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, ano 1, v. 3, p. 11, 1965.
TEIXEIRA, Mário Dias. Professor Américo de Souza Braga, Glória da Veterinária Brasileira; ensaio biográfico. Belém, FCAP, 1975. 41p.
As críticas que eram feitas as Universidades existentes nas décadas de 1950 e 1960, estavam relacionadas com a estrutura burocrática arcaica e o Regime de Cátedras, considerados, à época, parte expressiva dos problemas do Ensino Superior Brasileiro. O Regime de Cátedras foi o sistema predominante de organização do Ensino Superior no Brasil, antes da Reforma Universitária de 1968. Era caracterizado por um Professor “Catedrático” possuir o controle total de uma disciplina ou área de estudo, definindo o conteúdo programático, métodos de ensino, processos e práticas das disciplinas. Com a Reforma do Ensino Superior Brasileiro, que buscava modernizar o nível de escolaridade, considerado até mesmo obsoleto e de baixa qualidade, buscava-se também tornar a Universidade mais acessível, democrática e próxima da realidade brasileira.
“Como alternativa à cátedra, a organização em departamentos, seguindo o modelo das Universidades dos Estados Unidos, foi percebida pelas instâncias superiores do Governo como um modelo mais eficaz de gestão de recursos humanos e materiais para que os estabelecimentos Universitários Brasileiros não se limitassem a oferecer um ensino que habilitasse para o exercício profissional, mas que também almejassem produção de conhecimento na forma de desenvolvimento de pesquisa.”
“A inauguração da Universidade de Brasília (UnB), em 1962, apontava essa nova organização. Organizava-se por departamentos, em detrimento das antigas Cátedras. Neles, o conhecimento era transmitido em pequenas unidades denominadas disciplinas, descoladas das grandes áreas de conhecimento constituídas nas Cátedras e dominadas por apenas um professor catedrático. A UnB introduziu no Brasil o sistema de créditos, caracterizado por sua flexibilidade. A partir dele, os estudantes poderiam, ao cursar as disciplinas em diversos cursos e institutos, acumular os requisitos necessários para sua formação sem seguir um currículo estanque de disciplinas anuais.”
Apenas com a Reforma de 1968, apoiado institucionalmente pelo Conselho Federal de Educação (CFE), “o regime militar estruturou a sua proposta de Reforma Universitária, buscando a modernização do Ensino Superior em seus próprios termos. Dentre os pontos implementados considerados necessários para a modernização do Ensino Superior, estavam a extinção do Regime de Cátedras e a organização departamental, bem como a necessidade de formação de um Sistema Universitário padronizado em nível Federal.” Essas mudanças, ocorridas na década de 1960, estruturaram as Universidades na forma como as conhecemos hoje.
A Reforma Universitária começou a ser implementada a partir do Decreto-Lei n. 53, de 18 de novembro de 1966, e do Decreto-Lei n. 252, de 28 de fevereiro de 1967. Tais dispositivos legais visavam determinar uma organização mínima para as instituições universitárias. A partir deles, estabeleceu-se a pesquisa como algo a ser desenvolvido nessas instituições e o departamento como menor fração da estrutura universitária para “efeitos de organização administrativa e didático científica, e de distribuição de pessoal”.
Em 2 de fevereiro de 1965 foi instituída a primeira departamentalização na Faculdade de Veterinária, adaptando-se à mesma ao currículo existente e, funcionando até dezembro de 1968. Nessa ocasião foi então transformado o antigo Conselho Técnico em Conselho Departamental, constituído dos chefes dos Departamentos. Eram quatro os departamentos nesse período, sendo: I) Anatomia e Fisiologia; II) Patologia; III) Clínica; e, IV) Indústria Animal. Em 1969 procede-se a instituição de uma Departamentalização provisória, aprovada para esse ano, com quatro departamentos, sendo: I) Clínicas veterinárias; II) Higiene e saúde pública veterinária; III) Tecnologias veterinárias; e, IV) Veterinária econômica. Essas informações podem ser encontradas no Arquivo História da Faculdade de Veterinária da UFF (1977), disponível na biblioteca setorial BFV.
O Decreto nº 62.414, de 15 de Março de 1968, que dispõem sobre a reestruturação da Universidade Federal Fluminense, traz que a regra de manutenção do pessoal e disciplinas vinculadas aos departamentos foi naturalmente mantida como se vê na redação do § 3º do seu artigo 1º, assim como no artigo 5º.
§ 3º “Os institutos, escolas e faculdades dividir-se-ão em departamentos, definidos como a menor fração da estrutura universitária para todos os efeitos de organização administrativa e didático-científica e de distribuição de pessoal.”
Cabe salientar que essa definição foi disposta no artigo 2º do Decreto-lei nº 252, de 28 de fevereiro de 1967, e seus parágrafos, que trouxeram normas complementares ao Decreto-Lei nº 53, de 18 de novembro de 1966, no qual o último fixou os princípios e as normas de organização para as Universidades Federais.
Art. 5º Serão distribuídos ou redistribuídos pelas unidades que passem a constituir a estrutura da Universidade, com remoção ou readaptação dos respectivos titulares, os cargos de magistério que lhes correspondem, segundo o princípio geral do art. 1º.
A estrutura de ensino, organizada em quatro Centros, por meio do Decreto n° 62.414 de de 15 de março de 1968, apresentou o Centro de Ciências Médias (CCM) unido por distintos órgãos, dentro os quais a Faculdade de Veterinária (CMV). Nesse momento, após a aprovação dos departamentos feita pelo Conselho de Ensino e Pesquisa, em 1970, foram criados três departamentos na Faculdade de Veterinária, sendo: Departamento de Patologia e Clínica Veterinária (MCV); Departamento de Tecnologia dos Alimentos (MTA); Departamento de Zootecnia (MZO). Pode-se inferir que as siglas ou códigos que representam os departamentos e que se mantém até hoje, estão baseada na referência ao CCM, conforme figuras abaixo.
Nesse processo, foi fundamental a publicação da Portaria nº410 de 16 de abril de 1970, no qual em Art. 1º traz “a lotação do Pessoal Docente do Centro de Ciências Médicas da UFF”. Em específico, na Faculdade de Veterinária, por meio da criação dos departamentos (MCV, MTA e MZO) houve a seguinte lotação de pessoas:
Departamento |
Professor Titular |
Professor Adjunto |
Professor Assistente |
Auxiliar de Ensino |
Patologia e Clínica Veterinária (MCV) |
Ary Loureiro Acyoly; Jacinto Machado Mendonça Júnior |
Raymundo Gurgel da Cunha |
José Rangel de S. Brito; Antônio R. de Freitas Júnior; Miltom Camargo Fernandes; Waldemar da Silva Passos |
Luiz Mario Lima Castilhos; Nelson Domingues Pena; Allan Kardec da Silveira; Osorio Ricardo dos Santos; Jalmir Joaquim dos Passos |
Tecnologia dos Alimentos (MTA) |
Miguel Cione Pardi |
Oswaldo Santiago |
Donato Sylvestre Scharra |
Danillo Sampaio dos Santos; Agostinho Luiz de Lima |
Zootecnia (MZO) |
Frederico Murtinho Braga |
João Ribeiro Viana; João Paulo de S. Fretz; José Nardi F. Lima; Mário Xavier Dias Lopes; Arthur José Caetano Coelho; Joaquim Sizino da Rocha; Italo Romeu Desiderati; Matheus Nelly Nataboberto |
Maria Ângela M. de Oliveira |
Luiz Gomes de Araújo |
Cabe salientar que a Portaria nº 945, de 20 de dezembro de 1968 determinou a integração das disciplinas afins em suas respectivas Unidades, juntamente com seus docentes, havendo transferência de professores das extintas Faculdades e Escolas, para novas Unidades recém criadas na Universidade Federal Fluminense (UFF). Isso é o caso do Instituto Biomédico, criado em 1968, no qual foram transferidos 27 professores da Faculdade de Veterinária para essa nova Unidade.
O quarto departamento a ser criado na Faculdade de Veterinária é o Departamento de Saúde Coletiva Veterinária e Saúde Pública (MSV). Após muito empenho iniciado em 2002, em 2003 o MSV foi criado, por meio da migração de alguns professores do departamento MCV. Consta na ATA de reunião ordinária do Colegiado de Unidade da Faculdade de Veterinária, no 16 de abril de 2003, que o Diretor Geraldo Abreu de Oliveira solicitou a indicação de dois professores para assumirem pro-tempore a chefia e subchefia do novo departamento. Assim, foram indicados e aprovados por unanimidade o professor Elmiro Rosendo do Nascimento para chefe e o professor Dalton Garcia de Mattos Júnior para subchefe. A criação foi fundamentada na necessidade de congregação das disciplinas relacionadas com a Sanidade Animal e a Saúde Pública, já que essas vêm exercendo papel fundamental no desenvolvimento da Saúde (humana ou animal) mormente num momento em que toda a área de saúde prioriza as ações preventivas sobre as curativas, por serem mais econômicas, com custo benefício favorável e de maior duração.
Cabe salientar aqui que, em 12 de Janeiro de 2004, na Ducentésima Septuagésima nona (279ª) Reunião Ordinária do Departamento de Zootecnia (MZO), por iniciativa do então Chefe, Profº José Mário Franqueira da Silva, houve a proposta “de alteração do nome do Departamento de Zootecnia, sem alteração da sigla. Colocada em votação foi aprovada por unanimidade, tanto quanto que a Chefia desse andamento aos trâmites necessários para que isto ocorra”, passando a chamar-se Departamentos de Zootecnia e Desenvolvimento Agrossocioambiental Sustentável.
Portanto, na atualidade a Faculdade de Veterinária da UFF conta em sua estrutura com quatro Departamentos de Ensino: Zootecnia e Desenvolvimento Agrossocioambiental Sustentável (MZO), Saúde Coletiva Veterinária e Saúde Pública (MSV), Tecnologia dos Alimentos (MTA) e Patologia e Clínica Veterinária (MCV).
Em 1969 foi estabelecida a Comissão Executiva de Pesquisa e Pós-Graduação (Compeg), iniciativa basilar para o desenvolvimento dos primeiros cursos de Pós-graduação na Universidade Federal Fluminense (UFF) no início da década de 1970. A Pós-graduação na Faculdade de Veterinária também esteve entre as pioneiras na UFF, sendo:
A primeira iniciativa para a abertura de um curso de Pós-graduação na Faculdade de Veterinária ocorreu na década de 1970. Criado em 1972 e iniciando as atividades em 1973, foi aberto o mestrado em Cirurgia Veterinária. Em 1994, seus objetivos foram ampliados com a inclusão da qualificação de estudantes para o desempenho no magistério superior, além de indicação de reestruturação, com o aval da CAPES, momento em que passou a ser denominado de Mestrado em Medicina Veterinária (Cirurgia e Clínica Veterinária), tendo as seguintes linhas de pesquisa: Anestesiologia Veterinária (iniciado em 1987), Clínica Médica Veterinária (iniciado em 1995), Patologia Cirúrgica Veterinária (iniciado em 1984), Técnica Operatória (iniciado em 1990).
Onze anos depois, em 2005, com o objetivo de atender às necessidades do mercado de trabalho da região e por aconselhamento do comitê de Medicina Veterinária da CAPES, o curso incorporou a linha de pesquisa de Reprodução Animal e Biotecnologia. Nessa oportunidade também foi criado o curso de doutorado. À época, no Estado do Rio de Janeiro, nenhuma outra Universidade contemplava um programa de Pós-Graduação Stricto Sensu (mestrado e doutorado) nas áreas de concentração especificamente voltadas para Clínica e Reprodução Animal.
Após a aprovação da CAPES, a partir de 2006 o curso passou a ser denominado como Programa de Pós-Graduação (mestrado e doutorado) em Medicina Veterinária (Clínica e Reprodução Animal) – PPGMV, permanecendo até os dias atuais. As linhas de pesquisa são: Clínica diagnóstica, preventiva e terapêutica em medicina veterinária, Fisiopatologia e biotécnicas da reprodução.
A segunda iniciativa funciona desde 1974 na Faculdade de Veterinária, sendo a Pós-graduação de Higiene Veterinária e Processamento Tecnológico de Produtos de Origem Animal (PPGHIGVET). Inicialmente, com mestrado credenciado pelo Conselho Federal de Educação em dezembro de 1985. Consolidando sua atuação acadêmica e científica na área, em outubro de 2000 foi recomendado pela CAPES, tendo o doutorado aberto em 2001. O programa destina-se à formação de mestres e doutores nas seguintes linhas de pesquisa: Controle e Qualidade de Produtos de Origem Animal, Higiene Animal e seus Derivados, Modificações Post-mortem em Animais de Abate, e Processamento Tecnológico de Produtos de Origem Animal.
Página em construção.
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A Biblioteca da Faculdade de Veterinária (BFV) foi criada em 1968, com a missão de garantir à comunidade acadêmica acesso à informação especializada e de qualidade, disponibilizando um acervo relevante na área de Medicina Veterinária e campos correlatos.
Em 1987, o espaço passou por uma ampla reforma, que possibilitou a reorganização do layout e a expansão do acervo. Em 2006, nova reestruturação foi realizada, incluindo a instalação de internet e computadores, com a criação de um laboratório de informática no primeiro andar do prédio. A atualização mais recente teve início em 2022, contemplando a modernização do ambiente, com pintura, reorganização das estantes, melhoria da climatização e disponibilização de Wi-Fi e notebooks para uso dos usuários.
Nos dias atuais, a Biblioteca da Faculdade de Veterinária tem como finalidade apoiar as atividades de ensino, pesquisa e extensão da comunidade acadêmica, oferecendo também serviços de consulta e pesquisa ao público externo. A unidade é subordinada à Superintendência de Documentação e à Coordenação de Bibliotecas da UFF.
O acervo é composto por mais de 6.000 títulos de livros, além de revistas científicas e trabalhos acadêmicos que abrangem as áreas de Ciências da Saúde, Medicina Veterinária, Zootecnia, Tecnologia de Alimentos e Ciências Agrárias.
Por meio do Sistema Pergamum, os usuários podem realizar, remotamente, consultas ao acervo, renovação e reserva de materiais bibliográficos. Entre os principais serviços oferecidos destacam-se: empréstimo e consulta local, treinamento de usuários, levantamento bibliográfico, orientação para normalização de documentos acadêmicos e apoio às pesquisas científicas.
A BFV dispõe de espaço climatizado para estudo individual e em grupo, notebooks com acesso à internet, Wi-Fi e acesso às bases de dados científicas. Também oferece à comunidade acadêmica acesso a plataformas de E-books, ao Repositório Institucional da UFF e a Bases de Dados nacionais e internacionais, como o Portal de Periódicos CAPES. Além disso, está integrada ao aplicativo UFFMobile com diversas funcionalidades.
Informações adicionais e atualizações podem ser acompanhadas pelas redes sociais (@bfvuff), ou pelo site do Sistema de Bibliotecas da UFF: https://bibliotecas.uff.br/ 











